Bolsonaro vê “hipocrisia” de Paes por fechamento de praias no Rio e projeta “ação dura” do governo contra lockdown

Gabriel Melloni
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Bolsonaro criticou o prefeito do Rio, Eduardo Paes (AP Photo/Eraldo Peres)
Bolsonaro criticou o prefeito do Rio, Eduardo Paes (AP Photo/Eraldo Peres)
  • Bolsonaro voltou a atacar a adoção de medidas mais duras de restrição

  • Presidente afirmou que governantes que querem lockdown "ficam ditando regra"

  • Ele falou ainda em medidas mais duras contra o isolamento social total e previu: "O caos vem aí" 

O anúncio das novas medidas do Rio de Janeiro para tentar conter a Covid-19 desagradou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em conversa com seus apoiadores nesta sexta-feira, ele considerou "hipócrita" a decisão do prefeito carioca Eduardo Paes (Democratas) de fechar as praias da cidade.

“No Rio de Janeiro, agora, o prefeito baixou um decreto e fechou tudo, até praia. A vitamina D é uma forma de evitar que o vírus te atinja com gravidade. E onde você consegue a vitamina D? Tomando sol! É uma hipocrisia”, declarou.

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Paes decidiu ampliar as restrições contra o coronavírus e fechar as praias e áreas de lazer do Rio a partir deste fim de semana. Estão proibidos os banhos de mar, prática de esportes na areia e entrada de ônibus fretados no município.

As medidas vão de encontro ao que tem sido pregado por Bolsonaro desde o início da pandemia. E mais uma vez, nesta sexta-feira, o presidente atacou os pedidos por lockdown, destacando um possível colapso econômico no caso de adoção desta medida.

“É uma pressão enorme de prefeitos, governadores, esses caras que nunca passaram necessidade na vida. Agora, ficam ditando regra de ‘fica em casa’”, comentou. “O caos vem aí. A fome vai tirar o pessoal de casa, vamos ter problemas que nunca esperamos ter, problemas sociais gravíssimos. E ainda culpam a mim, como se eu fosse insensível.”

Bolsonaro fala em “desobediência civil” e “ações duras” contra restrições

O presidente também comentou a ação movida junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar as medidas de restrição adotadas no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul e na Bahia e exigir que as decisões sobre fechamento de atividades passem sempre pelo Legislativo.

“Estão colocando toque de recolher. Isso só existe em países ditatoriais. Estão aplicando a legislação de estado de sítio. Governadores e prefeitos estão humilhando a população, dizendo que estão defendendo a vida deles”, acusou.

Bolsonaro conversou com seus apoiadores (AP Photo/Eraldo Peres)
Bolsonaro conversou com seus apoiadores (AP Photo/Eraldo Peres)

Sem maiores detalhes, Bolsonaro projetou “ações duras” caso as prefeituras e governos continuem se movimentando na direção do lockdown. “Governadores e prefeitos não podem usurparem da constituição via decretos, retirar o direito de ir e vir das pessoas. Caso contrário, vamos ter que reagir”, afirmou.

“Será que a sociedade está preparada para uma ação dura do governo federal sobre isso? Para dar para o povo liberdade, direito de trabalhar. Não é ditadura, igual uns hipócritas estão falando o tempo todo, uns imbecis. Se o povo começar a sair, entrar na desobediência civil, não adianta pedir ajuda ao meu exército, porque ele não vai para a rua.”