Bolsonaro : 'Vamos enfrentar problema? Ou o problema é o presidente?'

Gustavo Maia
(AP Photo/Andre Borges)

Um dia depois de ir às ruas do Distrito Federal, contrariando orientação do Ministério da Saúde no combate ao novo coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro disse que sabe da responsabilidade que tem para administrar a crise provocada pelo novo coronavírus e criticou quem, segundo ele, está tirando proveito da situação para assumir o poder.

— Vamos enfrentar problema? Ou o problema é o presidente? Tem que trocar de presidente e resolve tudo? —perguntou Bolsonaro.

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Análise:Tour de Bolsonaro humilha Mandetta e confunde população sobre precauções contra coronavírusUma mulher que estava no espaço reservado aos seus simpatizantes respondeu que não, mas pediu em seguida que ele mantenha o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, com quem o presidente tem divergido sobre a estratégia de enfrentamento ao Covid-19.— Não, mas dá apoio para o Mandetta. Mantem ele, mantem ele. Não dê munição para inimigo não - afirmou a apoiadora.Bolsonaro não respondeu. O presidente, então, fez mais comentários sobre a sua visão acerca da crise:

— Vocês acham que morrerão gente com o passar do tempo? Vai morrer gente. Nós temos dois problemas: o vírus e o desemprego. Têm que ser tratados juntos, e com responsabilidade — declarou.

Mais: Presidente do PSL não quer acordo com bolsonaristas após pedidos de desfiliação com garantia de mandatoEle acrescentou ainda que está "o tempo todo buscando alternativas para minimizar o problema, que está aí".Veio de fora para cá e nós vamos ter que enfrentar aqui - disse, sempre mantendo uma distância de alguns metros da grade que separava os apoiadores dele.

— Mas dá apoio ao Mandetta. Mantenha ele. Não dê munição ao inimigo não!

Bolsonaro não respondeu. Ele insistiu que é preciso haver preocupação com o desemprego e não só com os problemas de saúde, repetindo que haverá mortes em decorrência da pandemia.

— Vai morrer gente. Nós temos dois problemas: o vírus e o desemprego.

Ele não quis comentar a decisão do Twitter de apagar suas postagens no último domingo e defendeu o direito de ir se encontrar com o povo, como fez neste domingo ao visitar a periferia de Brasília.

— Fui ontem em Ceilândia e Taguatinga. Não fui passear não. Fui ver o povo.