Bolsonaro usar igrejas para criar partido é 'imoralidade', diz Malafaia

O pastor disse que a igreja não pode ter um posicionamento político (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • ‘Eu separo a igreja de questões políticas’, diz o pastor

  • Malafaia afirma que abençoaria Lula na prisão se ele pedisse: ‘não posso negar’

Em entrevista ao portal de notícias UOL, o pastor Silas Malafaia condenou a “instrumentalização” das igrejas evangélicas pelo presidente Jair Bolsonaro para conseguir as 491 mil assinaturas de que precisa para viabilizar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil.

O líder religioso, que declarou apoio a Bolsonaro desde o início da campanha, afirma que não há incoerência em seu posicionamento, e pede que não se confunda engajamento pessoal com alinhamento da igreja a partidos.

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A opinião dele é oposta à do bispo Edir Macedo, que se disponibilizou a recolher as assinaturas durante os cultos da Igreja Universal do Reino de Deus. Malafaia, líder do ministério Vitória em Cristo, deu uma indireta para o rival na entrevista:

“A igreja é de Jesus, não apoia ninguém, quem apoia sou eu, quem apoia são as pessoas que pertencem à igreja. Dizer ‘a igreja tal vai apoiar’, acho uma imoralidade um pastor, um líder evangélico dizer isso. Eu não apoio isso”, declarou Malafaia.

Silas Malafaia, que recebeu Bolsonaro em sua igreja logo após a vitória nas urnas, disse que é seu dever como pastor abençoar todas as autoridades, sem distinção de partidos. E revelou que, antes do impeachment, convidou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para visitá-lo em sua igreja – mas ela não aceitou:

“Vou falar uma coisa que muita gente não sabe: eu convidei Dilma para vir na minha igreja, num momento em que eu estava 100% contra ela. Falei: presidente, pode ir à minha igreja que eu vou orar pela senhora. Ela não pôde vir. Esse é o meu papel.”

O pastor disse que, se o ex-presidente Lula (PT) o tivesse pedido para visitá-lo na prisão e orar por ele, não poderia negar:

“Se como pastor eu sento a pua no Lula, aí me chamam para orar pelo Lula e digo que não... Aí eu partidarizei aquilo que eu não posso, que é a minha vocação.”