Bolsonaro repete 'fake' de Crivella e evita apoiar candidato em SP: "não vou dar dica"

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Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Uma semana depois de o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) fazer a acusação falsa de que o seu adversário no segundo turno, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), teria feito um acordo para entregar a Secretaria Municipal de Educação ao PSOL, o que levaria a "pedofilia nas escolas", o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a propagar a falsa alegação em sua transmissão ao vivo realizada na noite desta quinta-feira (26).

O presidente reiterou seu apoio a Crivella e reforçou a informação falsa sem citar diretamente o nome de Paes.

"Por exemplo, vamos supor, o Rio de Janeiro: o candidato a prefeito lá prometeu ao PSOL a secretaria da Educação. Pô, se esse cara ganhar, não reclame do lixo que o teu filho vai ter quando chegar em sala de aula", afirmou Bolsonaro.

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“O PSOL está com Eduardo Paes. Dizem que vai tomar conta da secretaria de Educação. Você imagina, pedofilia nas escolas? Eu fico imaginando um irmão meu evangélico, metodista, assembleiano, alguém da Universal. Jesus disse que o Reino de Deus é das crianças. Jesus se comparou às crianças. E nós vamos aceitar pedofilia na escola? No ensino infantil?” disse Crivella, na gravação.

Eduardo Paes e o PSOL já anunciaram que processariam Crivella pelas declarações feitas na semana passada. O candidato do DEM chamou a afirmação de “gravíssima e mentirosa acusação".

"Em primeiro lugar, não há qualquer acordo político, nem troca de cargos com o PSOL, nem de minha parte, nem da deles e, esta atitude reflete o desespero dele com a crescente perspectiva de derrota nas urnas, mas não imaginava que seria capaz de ir tão longe na baixeza e na mentira. Ele será processado eleitoral, cível e criminalmente por essa gravíssima e mentirosa acusação", afirmou Paes, em nota.

Ainda na live, Bolsonaro confirmou que irá ao Rio de Janeiro no próximo domingo (29) para votar e que o “pessoal já sabe” qual será sua escolha nas urnas.

Segundo turno em São Paulo

Bolsonaro, que apoiou Celso Russomanno (Republicanos) em São Paulo, isentou-se de apoiar Bruno Covas (PSDB) ou Guilherme Boulos (PSOL).

"Agora vocês podem decidir entre o Covas e o Boulos. O Covas declarou que não votou em mim no segundo turno, em 2018, então ele votou no PT, votou no Haddad [na verdade, Covas já afirmou que anulou seu voto no pleito]. E o outro cara, do PSOL, é conhecido. Não vou dar dica, não vou entrar em política aqui, cada um decida da melhor maneira o seu voto agora em São Paulo. Então, tô fora dessa", afirmou.

Críticas negacionistas

Em tom irritado, Bolsonaro ainda criticou prefeitos que estão no segundo turno e que apoiam medidas mais restritivas para combater o avanço da pandemia do novo coronavírus. Para o presidente, o segundo turno é uma chance de derrotar os políticos que optaram por maiores restrições.

A fala vem num momento em que o país passa por uma nova alta de mortes e casos confirmados do vírus em quase todas as regiões.

“Agora pode mudar isso [prefeitos que defendem medidas sanitárias mais rígidas] onde? Onde tem segundo turno. Eu vou dar dica pra você? Não. Você que decida aí... não sei quantos, aproximadamente ou mais ou menos 100 municípios teremos segundo turno ainda, então dá tempo de você ver isso. E, também, muito importante: vê o partido que o cara tá e o partido que ele tá coligado. Meu Deus do céu, será que é difícil escolher assim?", questionou o presidente.