Bolsonaro reclama de toque de recolher no DF e compara a “estado a sítio"

Ana Paula Ramos
·2 minuto de leitura
Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro critica medidas de restrição (Foto: Marcos Corrêa/ PR)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (11) que o toque de recolher determinado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), é uma medida de “estado de sítio” e criticou o governador de São Paulo, João Doria, por realizar a “destruição" de empregos.

Na segunda-feira (8), Ibaneis decretou toque de recolher das 22h às 5h, até o próximo dia 22, para diminuir a circulação de pessoas e, consequentemente, conter a disseminação do coronavírus. Vários estados adotaram medidas semelhantes, como São Paulo e Minas Gerais.

Leia também:

Em videoconferência com parlamentares da Frente da Micro e Pequena Empresa, Bolsonaro afirmou que somente ele, na condição de presidente da República poderia tomar uma medida semelhante ao “estado de sítio”, mediante consulta ao Congresso Nacional.

“Até quando nós vamos resistir a isso daí? Aqui no DF, toma-se medida, por decreto, de estado de sítio. De 22h às 6h (5h), ninguém pode andar. Só eu poderia tomar uma medida dessas, e assim mesmo, ouvindo o Congresso Nacional. Então, na verdade, uma medida extrema dessa só o presidente da República e o Congresso Nacional poderiam tomá-la. E nós vamos deixando isso acontecer?”, disse.

“Quando eu vejo essa medida adotada em Brasília, eu lembro de uma história semelhante. Aumentou-se em 1.000% o preço da banana. Aí o cara fala: “Não tenho nada a ver com isso. Não gosto de bananas”. Amanhã outras coisas aumentam. Hoje, é de 22h às 5h. Daqui a pouco ele bota de 20h às 6h. Depois bota, de 18h às 8h. Daqui a pouco a gente vai ter meia-hora para sair na rua. E nós continuamos ficando quietos”.

O presidente voltou a reclamar das medidas adotadas pelos governadores, enquanto o governo federal trabalha para preservar empregos.

“Nós aqui buscamos salvar empregos, na ponta da linha, um ou outro [governador], como o de São Paulo, por exemplo, vai para destruição”.

Bolsonaro afirmou que o país está há praticamente um ano em “lockdown” - termo, no entanto, que se refere a medidas de fechamento total e que nunca foram adotadas no Brasil. Ele criticou também a suspensão de jogos de futebol. O Campeonato Paulista foi interrompido nesta quinta por 15 dias.

“Agora, ficamos praticamente um ano em lockdown. E começamos esse ano, como estamos vendo em alguns estados do Brasil, novas medidas seriamente restritivas. Até para cancelar o futebol”, disse Bolsonaro.