Bolsonaro provoca 'crises diárias' com 'agressões gratuitas', diz Doria

Doria acusou Bolsonaro de praticar agressões gratuitas aos diferentes poderes e agentes governamentais do Brasil. (Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Agência O Globo)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), lamentou a saída do agora ex-ministro da Saúde Nelson Teich e acusou o presidente Jair Bolsonaro de provocar “crises diárias” no país com “agressões gratuitas” às diferentes instâncias, poderes da República e agentes políticos, inclusive seu próprio corpo ministerial.

“O Brasil acorda assustado com as crises diárias por agressões gratuitas. Agressões à democracia, agressões a Constituição, às instituições, agressões ao Congresso Nacional, agressão ao STF, à imprensa. Agressões e xingamentos a jornalistas. Agressões a ministros do seu próprio governo, como fez e continua a fazer. Fez com Gustavo Bebianno, fez com Santos Cruz, fez com Sergio Moro, fez com Luiz Henrique Mandetta e agora fez também com Nelson Teich”, disse ele, durante a coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (15), no Palácio dos Bandeirantes.

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Doria pediu a Bolsonaro para governar com “equilíbrio, paz no coração, compreensão, discernimento e grandeza” e cobrou, novamente, união entre os Poderes para superar a crise do novo coronavírus. “Pare com as agressões, com os conflitos. Pare de colocar o país dentro de um caldeirão interminável de brigas e atritos. O país, para vencer a pandemia, precisa estar unido e precisa estar em paz”.

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Ao comentar a possibilidade dos sucessores de Teich na pasta, Doria afirmou que espera alguém compromissado com a ciência e com a Saúde. Para o governador, a demissão do segundo ministro da Saúde em meio a uma pandemia foi provocada pela “desordenação” no governo de Jair Bolsonaro.

“Primeiro quero lamentar a saída do ministro Nelson Teich. É o segundo ministro da Saúde que, em um prazo de 90 dias, deixa a função pela desordenação do governo Bolsonaro. Teich demonstrou, ao longo desses dias em que ocupou essa posição, compromisso com a ciência e respeito ao isolamento. Eu lamento que essa troca tenha sido feita e espero que o sucessor de Teich continue seguindo as orientações da medicina e da Saúde. E que não incorra no grave erro de seguir orientações ideológicas, partidárias e pessoais ou familiares.”

Nas redes sociais, Doria oficializou sua posição sobre a saída de Teich, que classificou como “um ministro que acredita na ciência”, e afirmou que o “barco” do Brasil “está à deriva”.

Doria relembrou a marca de 14 mil brasileiros vítimas do novo coronavírus, atingida nesta sexta-feira (15), segundo atualização dos dados da Covid-19 pelas secretarias estaduais de Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 202.918 casos confirmados, além de 13.993 óbitos, dados de quinta-feira (14).

“Não estamos em uma brincadeira, em um campeonato de jet-ski, fazendo tiro ao alvo, fazendo churrasco no jardim do Palácio da Alvorada. Estamos enfrentando uma gravíssima crise de saúde, de vida e de economia, presidente”.

O tucano também comentou a reportagem do jornal O Globo que aponta que Bolsonaro estaria propositalmente atrasando a liberação de recursos para combate à Covid-19 aos estados como forma de retaliação à decretação de medidas de isolamento social, prática criticada pelo presidente.

“O gesto demonstra, mais uma vez, a insensibilidade, intolerância e incapacidade de Bolsonaro de compreender a dimensão do cargo que ocupa como presidente da República. Bolsonaro mistura os canais e pensa que governar o Brasil é administrar a sua família. Não é, presidente. Governar o Brasil é ter sensibilidade, capacidade e visão para governar para todos os brasileiros. Os que lhe elegeram e os que não lhe elegeram. Retaliar os governadores é um gesto deplorável. Espero que cumpra, se for capaz, a sua promessa de menos Brasília e mais Brasil, e obedeça ao pacto federativo”.