Bolsonaro não corrige tabela e obriga 10,5 milhões a pagar Imposto de Renda

Colaboradores Yahoo Finanças
·2 minuto de leitura

Promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física não foi realizada pelo governo. Pelos cálculos, 10,5 milhões de brasileiros deverão pagar mais tributos do que se estivessem isentos, como o chefe do Executivo havia prometido em 2018.

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Pelas regras atuais, a isenção do imposto vale somente para quem ganha até R$ 1.903,98 por mês (menos de dois salários mínimos). Segundo o portal UOL, se a tabela fosse corrigida ao menos pela inflação, a isenção deveria valer para todos que ganham até R$ 4.022,89.

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O estudo que mostra que 10,5 milhões não deveriam pagar imposto foi feito pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional). Segundo os dados, devido à ausência de reajustes ou às correções abaixo da inflação oficial (medida pelo IPCA), a tabela do Imposto de Renda acumula uma defasagem de 113,09% desde 1996 até o ano passado.

A isenção hoje só vale para quem ganha até R$ 1.903,98 por mês, mas o certo seria até R$ 4.022,89.

A promessa inicial de Bolsonaro era isentar todos os brasileiros que ganhassem até cinco salários mínimos (pouco menos de R$ 5.000 na época). No fim de 2019, o discurso mudou e o valor da promessa foi reduzido para R$ 3.000.

Com a pandemia de coronavírus e as dívidas do governo, Bolsonaro adiou a promessa mais uma vez: “Vamos tentar pelo menos em 2022 passar para R$ 3.000”. O presidente também admitiu que não conseguirá atingir o piso de isenção de R$ 5.000 até o fim do seu mandato.

A partir de segunda-feira, cerca de 32,6 milhões de brasileiros terão que apresentar a declaração anual do Imposto de Renda. Destes, quase 3 milhões de pessoas poderão ter que devolver o auxílio emergencial recebido para enfrentar a pandemia de Covid-19 porque acumularam outras rendas acima de R$ 22.847,76 no ano passado.

A última vez que houve correção na tabela do IR foi em 2015, quando a então presidente Dilma Rousseff estabeleceu reajuste, em média, de 5,6% nas faixas salariais de cálculo do IR. Mesmo assim, o índice aplicado foi bem inferior à inflação daquele ano, de 10,67%.

Em 2016, não houve correção, apesar de a inflação ter avançado 6,29%. O mesmo ocorreu em 2017 (inflação de 2,95%), 2018 (3,75%), 2019 (4,31%) e 2020 (4,52%).

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