Bolsonaro pede que STF revise decisão que barrou sua indicação à PF: "Não é por mim, é por tudo que ele fez"

Bolsonaro durante a cerimônia de posse do novo ministro da Justiça em 29 de abril de 2020 (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • "Não ofendi ninguém e nem as instituições, apenas me coloquei no lugar do Ramagem", diz presidente sobre crítica a ministro do STF

  • Bolsonaro volta a criticar isolamento social e afirma que "empenho em achatar a curva de contágio foi praticamente inútil"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou em sua live semanal nesta quinta-feira (30) que fez um "desabafo" em seus comentários de hoje sobre Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal que barrou Alexandre Ramagem,  delegado e amigo de Bolsonaro, de assumir o cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

A indicação de Ramagem à PF esteve no centro da turbulenta saída do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro – que, ao deixar o cargo, acusou o presidente de interferir na Polícia Federal ao demitir o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. No momento, a PF investiga denúncias que podem atingir os filhos de Bolsonaro – Ramagem é visto como amigo pessoal da família.

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Moraes suspendeu a nomeação de Ramagem por meio de uma liminar, provisória, concedida pelo ministro do STF em uma ação do PDT que afirmou que a indicação representava "abuso de poder por desvio de finalidade". Em resposta, na manhã desta quinta, Bolsonaro disse que Moraes foi indicado ao Supremo Tribunal Federal, em 2017, por causa da sua "amizade" com o então presidente Michel Temer.

Na transmissão, Bolsonaro disse que não ofendeu ninguém com a sua afirmação, que classificou de "desabafo", e pediu que o STF revisasse a decisão. "Não é por mim, é por sua vida pregressa, por tudo que ele fez pela pátria", disse, se referindo a Ramagem. O presidente também ficou alguns minutos lendo o currículo do delegado para defender sua escolha.

"Fiz um desabafo hoje de manhã. Não ofendi pessoalmente ninguém e nem as instituições, tenho plena convicção disso. Apenas me coloquei no lugar do delegado Ramagem que, numa liminar monocrática do SFT, foi impedido de tomar posse", declarou o presidente, que em seguida afirmou ter conhecido Ramagem quando ele foi escolhido pela PF como parte de sua equipe de segurança após a vitória de Bolsonaro nas eleições de 2019.

Depois de citar a trajetória profissional de Ramagem dentro da Polícia Federal, que incluiu a superintendência do órgão no Ceará e o trabalho como parte da equipe de coordenação da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, entre outras funções,  Bolsonaro falou novamente que ficou próximo de Ramagem após o delegado assumir a coordenação da equipe de segurança do presidente eleito. Ele também disse que o delegado foi ao casamento de um de seus filhos.

"Ele exerceu com presteza a missão, e aí nasceu a amizade. Ele passou a ser uma pessoa que tomava café da manhã comigo, comia pão com leite condensado também. E depois, se não me engano, acho que ele foi num casamento de um filho meu", afirmou.

"Faço apelo ao ministro e aos demais. Não é por mim, é por sua vida pregressa, tudo o que fez pela pátria, combate à corrupção, à criminalidade, para que se reveja a decisão e o Ramagem possa assumir", afirmou.

Bolsonaro ainda afirmou que "o crime" de Ramagem seria a proximidade com o presidente, e o fato de ter participado de sua segurança. Segundo ele, se o delegado assumir, "todo mundo ganha". "O presidente da República ganha, a Polícia Federal ganha, a população como um todo, porque o combate ao crime e ao tráfico poderão ter uma melhor precisão com a experiência dele."

"Espero que após meu desabafo, que veio do coração, porque somos humanos, não só o sr. Alexandre, ministro do STF, bem como os demais, dentro da celeridade, pensando no Ramagem, possam fazer com que essa decisão seja revista", concluiu.

"Empenho de achatar curva praticamente foi inútil", diz presidente

Além de Ramagem, Bolsonaro usou o tempo de sua live semanal para falar sobre o coronavírus, citando novamente o desemprego como uma preocupação central do seu governo. O presidente, sem apresentar argumentos, criticou implicitamente a política de isolamento social determinada pelos estados e disse que a tentativa de achatar a curva de contágio do coronavírus "foi inútil".

Depois de citar números do desemprego e do apoio financeiro federal a trabalhadores informais e também de socorro aos estados, Bolsonaro disse que as medidas emergenciais tomadas por governadores e prefeitos "de isolamento total têm suas consequências". Ele, que esteve em Porto Alegre para a troca , disse ter visto "90% do comércio fechado, em plena quinta-feira, um dia normal".

"O governador Eduardo Leite tem um plano de começar a abrir na segunda-feira, espero que dê certo. Espero que o Rio Grande do Sul volte à normalidade o mais brevemente possível, até porque, repetindo, 70% da população vai ser infectada. E pelo que parece, todo o empenho para achatar a curva praticamente foi inútil. Agora, efeito colateral disso: desemprego. O povo quer voltar a trabalhar", declarou.

Bolsonaro encerrou a live com uma mensagem de "solidariedade a pessoas que perderam entes queridos" e uma citação sobre o Dia do Trabalho.

"Olha que ironia: amanhã é Dia do Trabalho e estamos proibidos de trabalhar, grande parte proibida de trabalhar. Mas mesmo assim cumprimento todos os trabalhadores, em especial o pessoal da área de saúde, que estão na linha de frente combatendo o coronavírus. São nossos soldados de branco na linha de frente", disse.

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