Bolsonaro lamenta decisão judicial e diz que "é duro ser presidente no Brasil'

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Resumo da notícia

  • "Um juiz de primeira instância quer que se multe o povo nas rodovias federais", afirmou Bolsonaro

  • Presidente diz que governo consultará PF sobre a possibilidade de recolocar os radares móveis de volta nas rodovias, mas usá-los apenas para "educar" motoristas

O presidente Jair Bolsonaro falou nesta quinta-feira (19), em sua live semanal no Facebook, sobre a decisão da Justiça Federal de Brasília que vetou a retirada de radares móveis das estradas federais, como determinou o governo em agosto. 

Bolsonaro, que se diz contrário ao uso de radares para multar motoristas que cometam infrações de trânsito, também afirmou que a Advocacia-Geral da União está elaborando um recurso para recorrer da decisão, determinada pela 1ª Vara Federal Cível, na capital federal. 

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"Como é duro ser presidente no Brasil, não é? Pelo amor de Deus. Um juiz de primeira instância quer que se multe o povo nas rodovias federais", lamentou o presidente ao falar sobre o tema.

Segundo Bolsonaro, o governo está consultando a Polícia Federal para saber se é possível colocar os radares móveis nas rodovias apenas de forma "educativa", sem multar os motoristas que ultrapassem o limite de velocidade. "O policial rodoviário para [o carro] e fala com o motorista: 'olha, você estava a 95 km/h e era 80 km/h'. Conversa com o cara e segue o destino", sugeriu o presidente.

De acordo com Bolsonaro, o número de acidentes durante o período em que ocorreu a retirada dos radares móveis, meses atrás, representou uma queda em relação ao mesmo período no ano anterior. "O motorista passou a ficar menos preocupado com 'pegadinha' e mais preocupado com a sinuosidade da pista", justificou Bolsonaro, dizendo em seguida que os radares móveis "normalmente estão em um retão, numa descida" nas estradas.

Mudanças no Código de Trânsito

Bolsonaro citou outras medidas do governo federal com relação a mudanças nas leis de trânsito, como o pacote enviado ao Congresso que flexibiliza as regras do Código de Trânsito Brasileiro. Várias das medidas propostas pelo governo foram alteradas nesta semana no texto assinado pelo relator do projeto, o deputado federal Juscelino Filho (DEM-MA)

Um dos principais pontos foi a determinação de que o motorista só tenha sua carteira de habilitação suspensa se atingir em um ano 40 pontos em multas, em vez dos 20 atuais. O novo texto diz que o condutor só terá o limite de 40 pontos se não receber nenhuma multa gravíssima no período. "Complicou tudo", lamentou o presidente na live.

Bolsonaro também disse que queria diminuir o valor da CNH em "aproximadamente 300 reais" ao dispensar os motoristas de procurar clínicas conveniadas ao Detran para fazer o exame médico necessário para renovar a carta. Segundo ele, o documento poderia ser assinado por um médico que fosse familiar ou vizinho do motorista – a sugestão não foi aceita pelo relator.

"Você pega o teu irmão que é médico, o teu vizinho, ele te faz um preço barato - ou não cobra nada -, e faz um atestado para você renovar ou tirar sua carteira. O relator achou que tem que continuar nas clínicas conveniadas ao Detran. Eu não vou nem responder à conclusão disso", atacou.

Por fim, Bolsonaro usou um caso pessoal para citar outra mudança que o governo federal tentou determinar, reduzindo a multa para motoristas que não utilizem o farol baixo em rodovias durante o dia – a proposta também foi alterada pelo relator.

"No ano passado, um assessor meu foi levar minha mãe do Rio a Eldorado Paulista. Veio uma multa, eu paguei e foi para a conta dele. Ele disse que achava que estava com o farol aceso, mas não podia garantir. E agora, e quem multou? Porque é um ser humano que multou do lado de lá. Se estava ou não com o farol apagado, fica a dúvida. Coloca placa educativa, mas não multe, com ponto pra carteira, mete a mão no bolso de um coitado, desgracado, desempregado, com um carro velho emprestado. É muita maldade no Brasil", acrescentou.

"E se o cara não está enxergando o carro na frente com um sol de meio dia a pino, esse cara tinha que ser enforcado – se eu falar qualquer coisa, é crime", ironizou Bolsonaro, finalizando o tema.