Ao insistir em 'normalidade' em pandemia, Bolsonaro constrange aliados e se isola

Debora Álvares

A pandemia de coronavírus foi a primeira crise, em 15 meses da gestão Jair Bolsonaro, não produzida artificialmente pelo clã bolsonarista. Em 5 minutos, porém, o mandatário conseguiu ampliar o tamanho dos atritos e se isolar até mesmo dentro do próprio governo.

Ao afirmar no pronunciamento em rede nacional na noite de terça-feira (24) que o País precisa “voltar à normalidade”, quando a orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) é restringir ao máximo a circulação de pessoas, o presidente gerou uma reação em cadeia: além de surpreender auxiliares próximos, que se viram desconfortáveis e sem respostas, encheu a oposição de munição. 

Ele perdeu o apoio até de um de seus mais aguerridos aliados: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). Ele chegou a dizer na quarta-feira (25) que não respeitará mais as decisões de Bolsonaro: “Não tem mais diálogo com esse homem”.

A fala em cadeia nacional do presidente foi escrita a várias mãos, sob o olhar atento do filho Carlos Bolsonaro, considerado o mais radical de todos. Mesmo ministros palacianos que têm estado ao lado do presidente em momentos complicados com o Congresso, mantiveram-se cabisbaixos nesta quarta. O clima pelos corredores do Palácio do Planalto, segundo relatos feitos ao HuffPost, era de constrangimento. 

Sem ser ouvido em conversas, nem chamado a opinar, tendo como única frente de ação o Conselho da Amazônia, o vice-presidente Hamilton Mourão convocou uma coletiva sobre o tema, na qual aproveitou para desautorizar Jair Bolsonaro, dizendo que ele pode ter “se expressado mal”. 

“A posição do governo por enquanto é uma só: a posição do governo é o isolamento e o distanciamento social. Está sendo discutido e ontem o presidente buscou colocar, pode ser que tenha se expressado de uma forma que não foi a melhor, mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos com a segunda onda. Temos a primeira onda, que é a saúde, e...

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