Bolsonaro diz que nunca chamou Covid-19 de "gripezinha"; vídeo prova o contrário

Marcelo Freire
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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the National Flag Day celebration at Planalto Palace in Brasilia, on November 19, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the National Flag Day celebration at Planalto Palace in Brasilia, on November 19, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Pouco mais de seis meses depois de associar o termo "gripezinha" à Covid-19 ao comentar que não temia ser contaminado pelo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro voltou a citar essa expressão na live desta quinta (26) e afirmou que nunca tratou a doença "dessa forma".

Em 24 de março, em um pronunciamento na televisão, Bolsonaro criticou o fechamento de comércios e escolas e citou o seu "histórico de atleta" para dizer que não temia ser contaminado. Bolsonaro, que faz parte do grupo de risco da doença por ter mais de 60 anos, contrairia o vírus em julho.

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"Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho", afirmou o presidente na ocasião.

Nesta quinta, ele citou um estudo de pesquisadores brasileiros que afirma que a prática regular de atividade física reduz em 34% o risco nos casos de covid-19 para defender sua declaração na época.

"Falei lá atrás que, no meu caso, o meu passado de atleta... eu não generalizei, eu disse que se pegasse o covid eu não sentiria nada. O pessoal da grande mídia falou que eu chamei de gripezinha a questão do covid. Não existe um áudio ou vídeo meu falando dessa forma", declarou.

"Eu falei para o meu estado atlético, minha vida pregressa, que eu sempre cuidei do meu corpo. Nunca deixei de praticar esporte, nunca fui sedentário, e disse que se o covid chegar em mim eu não sentiria quase nada. O pessoal foi para a gozação, para o lado que eu estava menosprezando as mortes", reclamou.

Em seguida, ele disse não ter "chutado", e sim, "estudado", e citou uma equação matemática para explicar sua defesa de uso da hidroxicloroquina – medicamento usado no combate à malária que não tem eficácia comprovada para o tratamento do coronavírus.

"Se você tem um mal 'x' e é cometido de um 'y' também, e você toma o remédio 'z' para o mal 'x' e o 'y' é curado, você não chega à conclusão que o remédio serve para os dois? Simples, né?", questionou. "Se 'a' é amigo de 'b' e 'b' é amigo de 'c', então 'a' é amigo de 'c'. Matemática simples."

Além de falar sobre a cloroquina, Bolsonaro também comentou sobre o uso de máscaras na prevenção à covid-19 e fez referência ao "último tabu a cair" – o presidente, por várias vezes, ignorou a utilização do item em aglomerações.

"Da máscara eu não vou falar muito porque terá um estudo sério falando da efetividade, se ela protege 100%, 90%, 80%. Falta apenas o último tabu a cair."