Bolsonaro diz que ministro Ramos 'se equivocou' em depoimento

Bolsonaro voltou a dizer que não citou as palavras "Polícia Federal" em sua reunião ministerial. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a negar, nesta quarta-feira (13) que tenha dito a palavra “Polícia Federal” durante a reunião ministerial do dia 22 de abril. A afirmação do presidente, no entanto, confronta com o depoimento dado na terça (12) pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. Questionado, Bolsonaro disse que Ramos “se equivocou”.

“O Ramos se equivocou. Mas como é reunião, tem o vídeo. O Ramos, se ele falou isso, se equivocou. Se ele falou isso aí”, disse Bolsonaro nesta quarta.

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A reunião é apontada como peça-chave no inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) que apura supostas tentativas de Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal, como acusou o ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

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No depoimento, Ramos afirmou que: "Por duas vezes, ouviu o presidente da República reclamar da necessidade de ter mais dados de inteligência para a tomada de decisões e que, contudo, na reunião do dia 22 de abril, nominou os órgãos Abin, Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Militar dos estados e, se outros foram mencionados, não se recorda".

Bolsonaro, que já havia negado na terça-feira ter dito as palavras “Polícia Federal”, “investigação” ou “superintendência”, voltou a dizer que não citou esses termos na reunião. O presidente também afirmou que suas reclamações se referiam à segurança de sua família no Rio de Janeiro, e que não foram direcionadas ao ex-ministro.

“Não falei o nome dele no vídeo (de Moro). Não falei o nome dele no vídeo. Não existe a palavra Sergio Moro. Eu cobrei a minha segurança pessoal no Rio de Janeiro. A PF não faz minha segurança pessoal, quem faz é o GSI”, disse. A Polícia Federal faz parte da estrutura do Ministério da Justiça.

Após o depoimento, Ramos pediu para a PF alterar trechos de suas declarações. Num deles, ele inicialmente havia afirmado que "não" foi falado pelo presidente que se não pudesse trocar o diretor-geral, trocaria o ministro. O ministro, sob protesto da defesa de Moro, pediu para trocar a negativa pela expressão “não se recorda”.

O DEPOIMENTO DE RAMOS

No depoimento, o ministro disse que o presidente ameaçou "interferir em todos os ministérios" para melhorar a qualidade dos relatórios de inteligência recebidos por ele. Ramos ainda afirmou que Bolsonaro não se referiu à troca do superintendente da Polícia Federal no Rio, mas sim sugeriu que trocaria o chefe da sua segurança pessoal  — versão repetida pelos outros dois ministros ouvidos nesta terça e também pelo presidente.

"Nessa reunião, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou de forma contundente sobre a qualidade dos relatórios de inteligência produzidos pela Abin, Forças Armadas, Polícia Federal, entre outros, e acrescentou que para melhorar a qualidade dos relatórios, na condição de presidente da República, iria interferir em todos os ministérios para obter melhores resultados de cada ministro", diz o depoimento de Ramos.

Ramos afirmou ainda que Bolsonaro não direcionou a ameaça de demissão ao então ministro da Justiça Sergio Moro, mas sim ao ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional.

Segundo ele, Bolsonaro citou "a título de exemplo, se ele não estivesse satisfeito com sua segurança pessoal realizada no Rio de Janeiro, ele trocaria inicialmente o chefe da segurança e, não resolvendo, trocaria o ministro, e nesse momento olhou em direção ao ministro Heleno".

Em seu depoimento, Ramos disse que Moro pode ter tido "interpretação equivocada" sobre o teor da declaração de Bolsonaro na reunião.

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