Bolsonaro diz que médico pode ter tomado 'decisão histórica' com cloroquina

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um pronunciamento em rede nacional nesta quarta-feira (8), onde elogiou a “decisão histórica” de médico Roberto Kalil Filho ao ministrar a hidroxicloroquina, pediu que ministros estejam mais sintonizados com ele e colocou a responsabilidade das medidas restritivas contra a pandemia do novo coronavírus nos governos estaduais e municipais.

Bolsonaro citou o caso do Dr. Roberto Kalil Filho, diretor-geral do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, que revelou ter usado a hidroxicloroquina em seu tratamento e depois ministrou para outros casos. O presidente afirma que o médico pode ter tomado uma “decisão histórica”, possivelmente salvando milhares de vidas de brasileiros.

“Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o Juramento de Hipócrates, ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos. Disse-me mais, que mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, ministrou o medicamento agora para não se arrepender no futuro. Essa decisão poderá entrar para a história como tendo salvo milhares de vidas no Brasil. Nossos parabéns ao doutor Kalil”, disse o presidente.

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Kalil Filho apresentou estado grave da doença, mas se recuperou e espera voltar a trabalhar já na próxima segunda-feira (13). 

Ainda sobre a hidroxicloroquina, Bolsonaro contou que conversou com o primeiro-ministro da Índia, Narenda Mondi, e chegou a um acordo para receber até sábado matéria-prima para a produção da medicação para pacientes de covid-19, malária, lúpus e artrite.

O presidente da República ressaltou que a responsabilidade de decidir sobre as questões do país é dele, usando a equipe de ministros que deve estar em sintonia com ele. “Sempre afirmei que tínhamos dois problemas a resolver: o vírus e o desemprego, que deveriam ser tratado simultaneamente”, afirmou.

Durante o pronunciamento, o presidente disse que respeita a autonomia dos governos estaduais e municipais, mas voltou a reforçar que as medidas restritivas contra o coronavírus são de responsabilidade dos mesmos e que o governo federal não foi consultado.

Bolsonaro usou um discurso da Organização Mundial da Saúde dizendo que cada país tem suas particularidades para voltar a defender que “os mais humildes não podem deixar de se locomover para buscar o pão de cada dia”. De acordo com o presidente, “as consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença” e “o desemprego também leva à pobreza, à fome, à miséria, enfim, à própria morte”.

Pronunciamentos durante a crise do coronavírus

Este foi o quinto pronunciamento sobre o coronavírus realizado em um período de menos de um mês. No primeiro pronunciamento sobre o tema, realizado no dia 6 de março, Bolsonaro afirmou que não havia motivo para "pânico" e que o momento era de união.

A segunda fala sobre o tema foi realizada na semana seguinte, no dia 12 de março. O presidente recomendou o adiamento de manifestações que estavam marcadas para o domingo seguinte, devido à recomendação para evitar aglomerações. O próprio Bolsonaro, contudo, acabou participando dos protestos.

No terceiro pronunciamento, Bolsonaro pediu a reabertura do comércio e das escolas e o fim do "confinamento em massa". No quarto, na última semana, ele recuou no tom de ataque, reforçando as medidas do governo no combate ao coronavírus.

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