Bolsonaro não quer dinheiro público em filmes como 'Bruna Surfistinha'

(Imagem: divulgação Imagem Filmes)

O presidente Jair Bolsonaro quer fiscalizar mais de perto o cinema nacional. Ele afirmou nesta última quinta-feira que pretende mudar a Agência Nacional do Cinema (Ancine) do Rio de Janeiro para Brasília. E deu a entender que filmes com determinados temas terão dificuldade em receber apoio do órgão estatal.

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“Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá”, disse Bolsonaro, em cerimônia que celebrou 200 dias de sua posse. “Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir em respeito às famílias. É uma coisa que mudou com a chegada do governo".

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Um decreto assinado pelo presidente transfere o Conselho Superior do Cinema do Ministério da Cidadania para o da Casa Civil. A intenção é fazer alterações na estrutura do fomento ao audiovisual brasileiro.

Entre os projetos que teriam desagradado Bolsonaro está o reality show ‘Born to Fashion’, sobre modelos transexuais que querem entrar para o mundo da moda. Com financiamento aprovado pela Ancine, a atração tem estreia marcada para ainda esse ano ano canal E!.

Boa safra pode ser interrompida

O provável desmonte promovido pelo presidente é um duro golpe no cinema brasileiro, que vive a sua melhor fase nos últimos anos. A revista especializada francesa Cahiers du Cinema, uma das maiores referências na sétima arte, fará um especial em setembro destacando a boa safra nacional.

Só nesse ano de 2019 filmes brasileiros foram exibidos e elogiados nos principais festivais do mundo, como Sundance, Berlim e Cannes - onde ‘Bacurau’, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e ‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’, de Karim Aïnouz, foram premiados.

A Ancine ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a classe cinematográfica vai defender que o órgão seja transferido para o Ministério da Economia.