Bolsonaro critica o 'tal de Iphan' em evento da bancada evangélica

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 13.12.2019: O presidente Jair Bolsonaro participa, ao lado do vice presidente Hamilton Mourão, do comandante da Marinha Ilques Barbosa, do ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e do presidente do senado senador Davi Alcolumbre, de cerimônia do Dia do Marinheiro, no Grupamento dos Fuzileiros Navais em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), autarquia federal que zela pela preservação de bens culturais, entrou na mira de Jair Bolsonaro. 

"Ali na cultura tem um tal de Iphan", disse o presidente em evento promovido nesta quarta-feira (18) pela bancada evangélica, em Brasília. 

O órgão "tem o poder de embargar obras em qualquer lugar do Brasil", continuou Bolsonaro. "Embargar pra quê? Embargar pra quê?"

Nesse momento, a plateia, formada por parlamentares e lideranças evangélicas, vibrou.

Criado em 1937 por Getúlio Vargas e hoje vinculado à Secretaria de Cultura, que por sua vez responde ao Ministério do Turismo, o órgão vem sendo esvaziado pelo atual governo. Há meses há um troca-troca de superintendentes do Iphan por gente de sua base aliada sem quilometragem na área.

A última peça tombada nesse dominó foi Kátia Bogéa, que dirigia o Iphan desde 2016. Ela foi exonerada no último dia 11 e substituída pela arquiteta Luciana Rocha Féres.

A nomeação, contudo, foi suspensa logo depois, o que expõe uma rixa entre o ministro Marcelo Álvaro Antonio (Turismo) e o secretário da Cultura, Roberto Alvim.

Féres, que já comandou o mineiro Conjunto Moderno de Pampulha, tem respaldo no setor, ao contrário de outras indicações polêmicas feitas por Alvim -como a de Sérgio Camargo, um "negro de direita" que vê um lado bom na escravidão ("foi benéfica para seus descendentes") e se declara "contrário ao vitimismo e ao politicamente correto", para a presidência da Fundação Palmares. 

Alvim preferia ter à frente do Iphan Olav Schrader, formado em relações internacionais e ligado à Associação de Moradores de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Há menções a seu nome em eventos pró-monarquia no país.