Boicote a Will Smith prova que o colonialismo se reinventa diariamente

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Mesmo que não tenha errado em responder a agressão do Chris Rock, o ator Will Smith pediu desculpas, mas segue boicotado pela comunidade branca norte-americana.

Recentemente, ele renunciou à filiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (responsável pelo Oscar) e teve dois filmes cancelados. É quase irônico, para não dizer outra palavra, que a carreira de Smith ameace ser interrompida quando a mesma instituição, e outras premiações, segue fechando olhos para artistas envolvidos em escândalos cruéis.

É o caso de humorista Louis C.K., que venceu um Grammy na noite do último domingo (3). Em 2017, ele foi acusado e confessou ter abusado de mulheres. Anos depois, os crimes viraram piadas do seu “show” de stand up, e Louis é premiado por isso.

Não há o que comparar entre uma pessoa que está defendendo sua esposa de uma piada maldosa, sexista e capacitista, como falamos anteriormente. E um crime real, que mexe com gatilhos e é tema delicado para muitas de nós. Então, por que pessoas negras não recebem segunda chance?

Por que não podemos “perder a cabeça”, como se colocou por aí. Por que não podemos revidar? Por que não podemos chorar? Por que seguimos boicotados e temos nossas emoções, sentimentos, erros e existências ainda colonizados? Mais importante: por que em pleno 2022 o sistema sustenta esse modo de existência, em que apenas sobrevivemos?

A reação contra Will Smith é desmedida, mas totalmente previsível. Não à toa ele mesmo pediu para sair da Academia e resolveu se isolar em um retiro de celebridades dos Estados Unidos. Quando se é negro, todo e qualquer movimento deve ser calculado. É preciso andar na rua olhando para todos os lados. “Olhares brancos me fitam, há perigo nas esquinas”, canta Luedji Luna em “Um corpo no mundo”.

Para além das telas

O caso Will Smith reflete o que tem acontecido com pessoas negras em todo o mundo, mesmo longe das telas e glamour do Oscar e demais eventos. Mulheres negras são constantemente desrespeitadas, e precisam enfrentar a ira do mundo sozinhas, criando uma capa de defesa cruel e adoecedora.

“Se fosse uma piada com uma mulher branca com câncer, seria o mesmo julgamento a essa reação?”, perguntou Nailah Neves, cientista política. Para Nailah, a polêmica não deveria ser sobre o tapa do Will Smith no Oscar, “não deveria ser sobre a reação em prol da dignidade humana ainda negada a pessoas negras, mas a polêmica deveria ser porque ainda naturalizam violência como piada”.

A repercussão do tapa de Will nos mostra que “está tudo bem” fazer chacota com a dor de uma mulher negra. Em nenhum momento o sentimento de Jada foi colocado em primeiro lugar (exceto pelo esposo que corajosamente a defendeu). Mostra também que errar só é humano quando ele é branco.

Por fim, mostra que a branquitude ainda se diverte quando a polêmica envolve dores de três pessoas negras. Tudo é apenas o mesmo jogo colonial de sempre, mas televisionado.

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