#ForaBocaRosa: o feminismo de ocasião de Bianca Andrade

Bianca ironiza a união das meninas ao conversar com Guilherme no 'BBB 20'

Por um lado, o 'BBB 20' tem nos dado uma aula de feminismo e sororidade. Por outro, mostra, na prática como funciona o feminismo de ocasião. Bianca Andrade, a Boca Rosa, virou um dos assuntos mais comentados no Twitter por conta disso. 

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Primeiro, em toda a briga com os brothers Hadson, Felipe e Lucas, ela decidiu ficar de lado, não levar a sério o que Gizelly e Marcela falaram e dar o benefício da dúvida ao ex-jogador. Não só isso, mas ela, que parecia estar super próxima de Mari Gonzalez, decidiu também ignorar o que a sister estava sentindo ao lidar com a informação de que os participantes da casa queriam desestabilizar o seu relacionamento fora do confinamento. 

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O resultado se tornou muito palpável para quem trabalha como influenciadora digital: Bianca já perdeu mais de 180 mil seguidores no Instagram e a hashtag #ForaBocaRosa viralizou. 

Não ajudou em nada o fato de Bianca ironizar, em frente às câmeras, a união das participantes da casa, dizendo "Você tinha que ver a algazarra que elas fizeram, 'Ai, girl power, vamos meninas!'. O que é isso, um filme?". Em um momento tão importante como esse, em que o machismo tem sido confrontado em rede nacional, fato é que vimos uma mulher escolher pelo status quo. 

Não existe em cima do muro

A verdade é que ao questionar e zombar do movimento de união das meninas, Bianca já escolheu um lado: o de manter as coisas como estão e de desmerecer o discurso e as opiniões de outra mulher. 

É verdade que a presença online e Bianca já passou por uma série de polêmicas, mas com a visibilidade que o reality oferece, e o momento em que vivemos, manter esse posicionamento é, sim, escolher um lado. 

A atitude da blogueira é o que chamamos de "feminismo de ocasião": Bianca se empodera do discurso quando lhe convém e o abandona quando acha necessário para se manter "bem na fita". Desconsiderar uma amiga que considerava próxima, duvidar do que ela fala, é ignorar as conquistas que as mulheres tiveram como um todo nos últimos tempos. 

Contrariando uma cultura de rivalidade feminina, as participantes da casa decidiram se unir e bancar os discursos umas das outras. Isso importa porque, historicamente, as mulheres foram ensinadas a não falarem o que pensam, a não contradizerem os homens, a se diminuirem em nome da atenção masculina. Não é sem motivo que Bianca tem sido tão criticada na internet: o que ela faz é negar todo um histórico de luta pelos direitos das mulheres de serem consideradas em pé de igualdade. 

Mari, aliás, deu um show de empatia e, sim, de sororidade, ao dizer inclusive que aceita as opiniões da então amiga, e que não vai julgá-la pela maneira como tem se comportado. No entanto, sabe também que as decisões de Bianca terão conssequências fora da casa - e, de fato, essas consequências já são mais do que perceptíveis. 

Do lado de cá, aliás, já podemos ver que acompanhar o 'BBB 20' virou quase um ato político, em que as eliminações vão demonstrar, a cada terça-feira, uma mentalidade que as pessoas não toleram mais.