Globo, o aniversário da cinquentona

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A evolução do logo da emissora ao longo dos anos (reprodução/Globo)

No dia 26 de abril, a Globo completa exatos 50 anos de vida. As comemorações, como bem estamos vendo, começaram no início do ano e prometem se estender até o final de 2015. Nessas cinco décadas, a emissora consolidou sua posição como a líder de audiência no país e transformou seus programas em produto tipo exportação. A Globo é a preferida do público brasileiro – em todo os sentidos: seja para sintonizar, seja para criticar. Motivos para um e outro não faltam.

A emissora mais poderosa do Brasil nasceu cerca de 1 ano depois do golpe militar de 1964. Mais do que mero cruzamento de datas, a história de ambos acontecimentos está entrelaçada. A Globo cresceu à sombra da ditadura. Se não deu apoio explícito, foi conivente mais de uma vez e o bom relacionamento entre Roberto Marinho e militares permitiu que a emissora se expandisse pelo Brasil a dentro.

Mas a liderança da Globo e sua popularidade não vêm apenas dos privilégios do poder. Ela soube criar um alto padrão de qualidade que é respeitado por emissoras ao redor do mundo. Se não inventou a novela, foi, sim, a responsável pela associação desse tipo de dramaturgia com o Brasil. Aliás, no quesito novela nunca foi superada pelas concorrentes nacionais – é bom lembrar que o fenômeno “Pantanal”, a novela da Manchete que deu 40 pontos de Ibope, bateu a Globo no horário das 21h em uma época em que as novelas globais iam ao ar às 20h. “Rainha da Sucata”, que a Globo levava ao ar na época, teve 60 pontos de média e fechou o último capítulo com 78 pontos. Ainda hoje, quando “Babilônia” quebra recordes negativos de audiência, seu Ibope é praticamente a soma das duas segundas colocadas.

Esse é outro ponto: as pessoas adoram odiar a Globo. Tem a ver com certa antipatia inercial que se sente pelos poderosos, aquela coisa de torcer contra o time que ganha todos os jogos. Mas também tem a ver com certa arrogância da emissora e seus erros de avaliação de alguns movimentos populares, como as “Diretas Já”, por exemplo.

O fato é que a Globo não é muito diferente das outras emissoras no quesito defesa de interesses. Qualquer canal aborda notícia do ponto de vista que lhe beneficie. Faz parte do jogo da concorrência (ou seja, não acredite piamente em tudo o que você vê nos telejornais). Como empresa líder de mercado, a emissora carioca joga pesado, e não só na TV aberta. De olho no futuro, praticamente monopolizou a TV paga, estendendo seus tentáculos por cerca de meia centena de canais.

A favor da Globo, entretanto, deve-se dizer que ela tem procurado fugir da mesmice para manter a liderança. É dela o humorístico mais ousado da TV: o “Tá no Ar” (o “Porta dos Fundos” não conta nesse caso, pois nasceu na internet).  É dela o jornalístico mais interessante da TV aberta, o “Profissão Repórter”. A Globo detém também a vanguarda da TV aberta no quesito minisséries acima do padrão sofrível. Não é pouco.

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Ninguém faz a mínima ideia de como serão os próximos 50 anos da Globo (para dizer a verdade, ninguém sabe se o mundo dura mais 50 anos…). A televisão está sofrendo rápidas mudanças, a interatividade e as mídias multiplataforma já são realidade. Há ainda os canais on demand, a mudança do público, que tem passado cada vez menos tempo diante da TV e mais horas diante de computadores e celulares. Tudo isso afetará a performance da emissora. Um dia desses a Globo poderá ser definitivamente ultrapassada em audiência pelas concorrentes, mas talvez isso já não tenha a menor importância.