Blogueiras ganham até 95 mil reais com posts e presenças em eventos

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Blogueiras em evento da Pantene (Reprodução)

Minha primeira grande lição sobre ética no jornalismo não veio da matéria da faculdade, mas do meu primeiro emprego com carteira assinada, aos 20 anos, na Editora Abril. Como jornalista de moda tínhamos muitos eventos e fomos convidadas para um lançamento que era fora de São Paulo, incluíahospedagem e vários mimos: qual não foi minha surpresa ao saber que íamos com o carro da própria editora (e não junto com todos os convidados em ônibus fretado pela marca) e não ficaríamos hospedados desfrutando do spa, mas voltaríamos no mesmo dia. Na cartilha do local que foi a minha primeira grande escola profissional nossa opinião deveria ser imparcial – e mimos e presentes poderiam abalar nossa posição sobre um assunto ou produto. Isso foi na década de 90.

Se passaram alguns anos e, no início dos anos 2000 a internet se difundiu e, com a rede, o fenômeno dos blogs. Todo mundo ganhou a possibilidade de ter sua opinião ouvida – ou seu look visto. Democracia é sempre bem-vinda. Ampliar o debate ou ter “gente como a gente” mostrando o que veste viria para agregar e mudar a história da comunicação — ainda que a palavra imparcialidade perdesse um pouco o sentido e discutir ética em meio a “dicas amigas” disfarçadas em posts pagos tenha se tornado mais difícil nesses tempos digitais.

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As blogueiras brasileiras Camila Coelho, Camila Coutinho e Thássia Naves (Reprodução)

O “look do dia” virou um sucesso absoluto: rompeu as barreiras dos blogs, ganhou as redes sociais e virou até tema de “rap”. Uma década depois do início dos blogs, ser blogueira de moda virou uma aspiração maior do que ser modelo — o que, na minha adolescência, era o desejo de 9 a cada 10 meninas (disputado com o sonho de ser “paquita”, ajudante de palco da Xuxa!).

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Capa da Glamour de fevereiro com a blogueira Thássia Naves e tabela de valor cobrado pelas blogueiras publicada na revista (Reprodução)

Ser blogueira de moda se tornou profissão rentável: segundo publicado na revista Glamour do mês de fevereiro, um “pacote” com post no blog, no instagram e mais a presença da blogueira famosa no evento pode chegar a R$ 95 mil reais. (O piso salarial de um jornalista no Estado de São Paulo é de R$ 2.432,40, segundo dados do sindicato).

Antes que você esteja querendo largar seu canudo e começar seu blog ainda hoje, atenção: segundo a especialista em mídias digitais Ana Paula Passarelli “esses valores não representam nem 1% do mercado”. Ou seja, para cada Gisele Bundchen do mundo das passarelas, há uma blogueira com faturamento milionário. Daniel Magalhães, sócio da YPB MKT Digital ressalta que esses valores têm mais relação com o mercado de celebridades do que com a métrica das mídias digitais. “Algumas blogueiras ganharam o status de celebridades e então são pagas não apenas pelo número de visualizações ou outras métricas aplicadas a audiência, mas ao glamour associado ao seu nome”, afirma.

E, segundo os especialistas, o mercado de celebridades é prá lá de volátil. Ou seja, não basta uma ascensão meteórica, mas ter credibilidade diante dos seguidores — que, no final, são quem as mantém no radar das marcas, já que vendem —- e diante do mercado. Fazendo um paralelo: lembra-se de quanta gente já participou do “Big Brother”? A maioria teve apenas 15 minutos de fama: alguns poucos revelaram uma combinação de talento, perseverança, profissionalismo (e sorte?) e se firmaram. Com as blogueiras funciona da mesma forma: para se manter a longo prazo é preciso conteúdo que vá além de fazer da vida um reality show. “Sempre teremos pessoas famosas na internet. Fazer disso um negócio que vá além de posts de look do dia é o desafio que as blogueiras têm pela frente”, afirma Passarelli.

Instagram @daniferrazmoda

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