Por que os ensinamentos de Julien Blanc, o americano que ensina “pegar mulher”, são péssimos?

Preliminares

Não sei se vocês sabem, mas antes de escrever o Preliminares eu já escrevia sobre sexualidade e comportamento. O foco era, na época, meninos adolescentes. No Garotas: Modo de Usar, que era como uma bula sobre mulheres, eu ensinava os meninos tudo o que lhes foi cobrado sempre, mas nunca ninguém os ensinou: lidar com o sexo oposto.

Não, a gente não nasce sabendo. E lá por 2007/2008 não era comum alguém ensinar isso, os treinadores de paquera só aparecer alguns anos depois. O problema é que no meio dessas pessoas apareceram algumas péssimas, como é o caso do Julien Blanc, um americano que ganha milhares de dólares para dar “aulas” sobre como se aproximar das mulheres. O problema é que ele só ensina besteira!

Nas últimas semanas ele esteve na Austrália, mas quando o conteúdo do “curso” se tornou público, seu visto foi retirado e ele precisou ir embora. No Reino Unido e Canadá estão rolando petições para proibir sua entrada. E adivinha se o Brasil não está no roteiro do cara? Claro que está! Mas a petição brasileira já está sendo acompanhada pela Polícia Federal e tem mais de 130 mil assinaturas – você pode participar nesse link: https://secure.avaaz.org/po/petition/Policia_Federal_Brasileira_Explusao_de_Julien_Blance/

Agora você deve estar se perguntando o que esse cara pode ensinar de tão péssimo assim. Bem, entre estimular o ódio contra mulheres, o racismo e o estupro, ele mesmo diz que seu método é “é ofensivo, inapropriado e emocionalmente assustador” – e isso está no próprio site do cara.

Agora vamos explicar, com a ajuda de alguns macetes ensinados por Julien, porque você não deve se inspirar nele para se aproximar de uma mulher. Quer dicas de como fazer? Aqui tem seis passos para se aproximar de uma mulher sem parecer um tarado.

Sufocar garotas em bares
Sabe aquele tipo de dica que parece piada até alguém te contar que o cara tá falando sério? É assim. Ele realmente indica que seus alunos peguem no pescoço das garotas e apertem, aí é só beijar. Você poderia fazer o mesmo com uma boneca inflável, já que ter algo em troca não parece ser importante…

Fazer mulheres se sentirem mal
O plano é assim: você enfraquece a pessoa até ela se sentir péssima e aí vira o salvador. Eu já vi gente fazendo isso e é nojento. Além disso, no Brasil, se encaixa como violência emocional e entra na Lei Maria da Penha. Pois é, nada interessante para quem não quer arrumar um namorado na cadeia, né?

Além disso, você não se sentiria um merda por só conseguir ficar com alguém que está na pior? É tipo chutar cachorro morto, né? Não faz sentido e você, como homem, devia se respeitar mais.

Ignorar nãos
A gente já falou tanto aqui sobre consenso que fica até bobo dizer isso, mas: quando alguém diz não e você continua, isso se enquadra como estupro. Sim, estupro não precisa de penetração.

Empurrar a cabeça delas até encostar no seu pênis
Que situação triste. Você respeita seu pênis tão pouco assim para achar que só a força uma mulher vai querer colocar a boca ali? Se você pedir com jeitinho, há grandes chances dela fazer um sexo oral inesquecível. Se você empurrar, há grandes chances de que ela morda seu pipizinho e diga que foi sem querer. A escolha é simples.

Além disso, você não foi ensinado sobre o significado de respeito?

Violência
O tal “professor” é tão otário que postou em seu Twitter um gráfico sobre violência doméstica dizendo que aquilo poderia se tornar uma checklist para seus alunos. O Brasil tem uma das legislações sobre violência contra mulher mais abrangentes do mundo. Violência contra mulher é crime e não é brincadeira.

Se você é uma pessoa horrível e acha que realmente não vai conseguir construir nada com uma mulher porque é desinteressante, péssimo de cama e um perdedor, uma pena. Você pode fazer todas essas coisas e correr o risco de ser preso ou pode gastar a grana que seria usada em um curso idiota como esse e se tornar uma pessoa melhor. Não é difícil escolher…

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).