Plástica vaginal antes dos 15 anos. O que está acontecendo com nossas garotas?

Carol Patrocínio
Preliminares

Esse é um assunto triste. De verdade. É um assunto que vai muito além da relação feminina com o sexo. Ele mostra um pouco da relação feminina com si mesma, com o ser mulher e também a relação masculina com o corpo das garotas.

O jornal Daily Mail publicou que aproximadamente 340 garotas com 14 anos ou menos, no Reino Unido, já fizeram cirurgias íntimas por motivos estéticos. Isso mesmo, apoiadas por pais e médicos, meninas que não têm o corpo totalmente desenvolvido — nem o emocional — estão transformando seus corpos para entrar em um padrão de beleza que não existe.

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Ao fazer uma busca na internet você encontra diversas ofertas desse tipo de operação "em até 36 vezes". Mas, por aqui, a moda ainda não foi tão difundida e está mais forte entre as subcelebridades. O problema é que as chances disso crescer, por falta de informação somada a muita publicidade, são grandes.

Encontrar dados sobre os riscos dessas cirurgias não é algo fácil, diferente do que acontece com os ditos benefícios. O que esses sites, e muito médicos loucos por dinheiro, não explicam é que anomalias labiais, que pedem mesmo uma reparação, são extremamente raras.

Mundialmente, psicólogos e estudiosos culpam a pornografia e a TV, em que mulheres têm seus corpos retocados computadorizadamente e parecem seguir o mesmo padrão. Porém, o que é esse padrão? Ginecologistas e cirurgiões plásticos, que oferecem o procedimento, não têm um consenso. Então o que é oferecido para cada mulher?

De acordo com a antropóloga Thais Machado-Borges, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Estocolmo, Suécia, autora do estudo "Um olhar antropológico sobre a mídia, cirurgia íntima e normalidade", esse padrão de normalidade vem de imagens de mulheres nuas, da mídia (que pode ser TV, publicidade, revistas, cinema e até mesmo a imprensa) e os materiais didáticos, com desenhos padrão do órgão sexual feminino.

Os lábios vaginais são zonas erógenas, têm muitas terminações nervosas e podem tornam a vida sexual feminina um terror depois de passarem por cirurgias mal sucedidas. Totalmente o contrário do que se busca com a prática.

Ainda mais assustador do que crianças buscando essas cirurgias influenciadas pela sexualização precoce, são adultas que veem nesse procedimento a chance de transformar suas vaginas em algo que lembra o corpo de uma criança.

"Grande mural da vagina", de Jamie McCartney

'Grande Mural da Vagina'*
Para ajudar as mulheres que se inspiram em um padrão inexistente no mundo real e querem transformar seus corpos sem pensar muito no assunto, o artista inglês Jamie McCartney resolveu tirar moldes das vaginas de diferentes mulheres.

Isso mesmo, ele coloca gesso e faz uma escultura de vários tipos de vaginas. Depois de juntar muitos desses, ele cria um mural mostrando como cada pessoa é única e deixa bem evidente das diferenças entre o corpo de cada mulher.

A intenção dele é mudar a concepção de corpo que temos para que a mulher ame-se mais, aceite-se mais e consiga conviver melhor com o real ao invés de ir atrás de um imaginário que cada vez mais a deixará insegura consigo mesma.

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