Sexo é bom e faz bem à saúde

Carol Patrocínio
Preliminares

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. É aquele dia em que a gente comemora todas as vitórias que tivemos, todo o respeito e segurança que fazem parte da nossa vida. Mas espera aí...

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Milhares de sutiãs foram queimados para que a gente pudesse usar minissaia e fazer sexo sem ter que ouvir julgamentos, além de outras coisas, claro, mas a gente ainda passa por isso, não? A cada passeio num vestido um pouco mais curto e temos que nos sentir como carne no açougue, todo mundo olhando, fazendo comentários e o pior de tudo são os comentários que chamo, carinhosamente, de "estuprador em potencial", que são os que nos deixam morrendo de vontade de correr para casa.

A gente não deveria passar por tudo isso!

É claro que hoje já temos a liberdade sexual, podemos nos relacionar com quem quisermos sem que ninguém tenha que se intrometer. Mas as pessoas ainda apontam as mulheres que são assim. Dizer que a mulher que faz sexo apenas por sexo não se respeita é um absurdo tão grande, tão machista, que nem merece muitas linhas de texto.

O mais triste de tudo é que muitas mulheres tem essa atitude de apontar para a outra e sentar sobre o próprio rabinho. Um exemplo muito claro disso foi a eliminação da BBB Renata. Ela saiu da casa porque ficou, em 45 dias, com três caras. Oi? Aqui fora ninguém faz isso?

Ah, dizem que ela fez sexo na casa, o que é um absurdo. Oi de novo? Sexo não é um absurdo. Sexo é algo que todo mundo faz, é natural, faz bem, é gostoso. E sexo na novela das oito pode, né? O argumento sobre ser ou não real não cola, é sexo, ponto. As cenas do BBB, tanto da Renata quanto da Laisa, só foram vistas por quem procurou na internet. E MUITA gente procurou.

Além disso, se as duas fizeram sexo e uma delas ficou com mais de uma pessoa, tem gente faltando nessa conta, né? Laisa e Renata são erradas por terem feito sexo, mas Yuri e Rafa são garanhões. Assim como Jonas, que deu uns beijos em Renata e Monique. Não tem algo errado aí?

É claro que tivemos diversas vitórias, que temos mais liberdade, mas ainda não podemos andar sozinhas na rua, de noite, sem ter um pinguinho de medo, de olhar para os lados porque violência sexual é algo banalizado.

É claro que podemos fazer sexo com quem e quando queremos, mas vamos ter que aguentar alguém comentando sobre a nossa vida e achando que o homem é assim mesmo, mas a mulher não se dá o respeito.

É claro que trabalhamos, mesmo ganhando menos por um cargo igual ao do homem, mas algumas de nós ainda têm que chegar em casa e cuidar de tudo — o último post deste blog foi a grande prova de que isso existe muito mais do que gostaríamos de acreditar.

Os homens vivem reclamando nos comentários e nos e-mails que as mulheres não gostam de sexo, que não sentem desejo por eles e que eles gostariam de mudar isso. A pergunta que eu faço é: como as mulheres vão deixar os desejos falarem se a cada vez que isso acontece ela corre o risco de ser taxada de piranha? A atitude de apontar para as mulheres livres faz com que outras enxerguem o sexo, inconscientemente, como algo errado. E aí é claro que ela não vai querer se soltar nem com o marido. A gente colhe o que planta!

Proponho um desafio: que tal julgar menos e se divertir mais? Nos primeiros dias vai ser difícil, mas depois você vai notar que sua vida ficou mais leve. Sexo não é errado, errado é tornar algo tão natural um tabu.

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda pra mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).