Marina Ruy Barbosa e o momento certo para fazer sexo

Preliminares

Sexo é um assunto que está presente na minha vida o tempo inteiro. Por escrever sobre isso, recebo informações sem parar, e-mails e as pessoas adoram conversar sobre o assunto comigo. E, talvez por isso, aceitar o diferente seja algo tão fácil na minha vida.

Sempre digo que sexo é autoconhecimento, que cada pessoa tem seu tempo e seus limites e que deve, acima de tudo, se respeitar. Por ser algo tão íntimo apenas você mesma pode saber o que é verdade para você e o que a sociedade colocou na sua cabeça.

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Uma coisa que incomoda é achar que só o que você faz é o certo. Isso acontece com todo tipo de gente, desde os moderninhos até os conservadores, e mostra a pequenez do ser-humano e sua necessidade de ser o melhor em tudo.

O corpo é seu e ninguém além de você pode decidir o que ou quando fazer alguma coisa. Se você escolheu esperar para fazer sexo isso é lindo. Se você escolheu fazer sexo com o maior número de pessoas que puder, é lindo também. Se você resolveu acreditar que a religião tem uma brecha e que sexo oral e anal não comprometem a virgindade que você vai dar de presente a alguém, ótimo, é uma escolha consciente sua.

Mas quem disse que a sua escolha é melhor do que as outras? Quando foi que a gente criou uma balança para colocar essas decisões e pesar qual vale mais? NUNCA! Desmerecer as escolhas alheias não é dar opinião, é julgar e ser preconceituoso. Nota a diferença entre uma coia e outra?

E talvez seja por isso que me incomoda tanto uma pessoa pública agredir tantas outras pessoas com apenas uma fala. "Não adianta querer um príncipe se você não é uma princesa. É muito difícil uma mulher rodada encontrar um cara legal. Só vai encontrar sapo", disse Marina Ruy Barbosa, a nova atriz queridinha da Globo, com 17 anos.

Pobre garotinha, quem te ensinou isso? Primeiro que sua experiência sexual não fala sobre seu caráter, segundo que “um cara legal” muda muito de mulher para mulher, terceiro que nem todo mundo quer “um príncipe” no padrão que você acredita ser o perfeito e quarto: que índice foi esse que você usou para falar que uma mulher “rodada” (que nojo desse termo) tem dificuldades para encontrar caras legais?

Ok, a adolescência tem essa coisa de dar sua opinião de uma forma extremamente incisiva – mesmo sem ter certeza do que você está falando -, mas sendo uma pessoa pública não cai bem.

Ao dizer uma coisa dessas ela apoia o machismo que nossa sociedade impõe todos os dias. Ela diz que você, mulher, não pode decidir o que quer fazer e nem o que tem vontade, mas precisa seguir uma convenção definida sem se importar com sua opinião. Ela diz que um príncipe e um cara legal são aqueles que julgam, apontam e humilham a mulher que decide sua própria vida. O mundo já tem tanta intolerância, para que mais?

Príncipes são aqueles caras que chegam para salvar a mulher indefesa (essa é a base dos contos de fada). Se você não precisa ser salva, sabe se defender sozinha e quer apenas alguém para dar uma voltinha pelo mundo ao seu lado, não a sua frente, você não quer um príncipe.

É triste ver alguém tão jovem com preconceitos tão fortes. Parece até uma cria da Sarah Sheeva – que curtiu a vida adoidado e agora prega castidade – e seu Culto de Princesas, que ensina mulheres viverem como se estivessem nos anos 50. Ou talvez ela seja e a gente não sabe...

O que eu posso dizer em relação a tudo isso?
1 - respeite você mesma, sua vontade e ignore os preconceitos do mundo
2 – um cara legal ama você por quem você é e não por quem ele gostaria que você fosse
3 – a quantidade de sexo que você faz não define seu caráter
4 – faça suas escolhas sem julgas as alheias
5 – busque ser feliz e se superar ao invés de ser melhor ou estar mais certa do que o outro.

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).