Monalisa Perrone e a violência contra a mulher

Ale Rocha

Diante do improvável, restou a surpresa de Sandra Annenberg: "que deselegante".

A jornalista Monalisa Perrone foi agredida ao vivo durante o "Jornal Hoje" (Globo) desta segunda-feira (31/10). Dois homens invadiram um boletim e a jogaram no chão.

A repórter estava em frente ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ela relatava o estado de saúde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É possível ver, pelo reflexo na porta, a aproximação dos agressores.

A imagem foi imediatamente cortada para o estúdio. Após alguns minutos, visivelmente assustada, Monalisa voltou ao vivo. "Isso nunca me aconteceu", lamentou. Emocionada e sem condições de continuar seu trabalho, passou o microfone para o colega José Roberto Burnier.

Não foi a primeira vez que repórteres da emissora são interrompidos durante boletins ao vivo. No último sábado (29), o próprio Burnier foi vítima de algo semelhante, também em frente ao Hospital Sírio-Libanês. "Cala a boca, Globo", gritou um homem que passou gritando atrás do jornalista.

No começo de outubro, o repórter Filippo Mancuso foi interrompido durante o "SPTV" ao ser chamado para falar sobre a interdição do shopping Center Norte, em São Paulo.

Este tipo de ação não tem nada de protesto. É puro desrespeito.

O pior, no caso de Monalisa Perrone, é a covardia. Trata-se de violência contra uma mulher. A invasão de boletins ao vivo é ação típica de homens. Contra José Roberto Burnier ou Fillipo Mancuso "ousam" apenas passar gritando uma vazia frase de impacto. Ficam distantes, sem nenhum contato físico.

Contra uma mulher, um empurrão. Pelas costas.

Péssimo sinal dos tempos.

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