‘Gorda tem mais que ser humilhada’, prega novela

alinevds
Blog da Nina Lemos


Uma gordinha tenta desesperadamente perder a virgindade.
Não consegue. Marca vários encontros. Entra em desespero. Cai no conto de um entregador de pizza que, após uma paquera, pergunta quanto ela vai pagar. Depois, amigos tentam “ajudá-la” pagando um michê. A mesma moça já ficou amarrada na cama por um sado-masoquista. Tudo para realizar seu sonho de "deixar de ser virgem". Era para ser engraçado. Mas é triste.

A personagem Perséfone, interpretada pela atriz Fabiana Karla, faz parte do núcleo “Zorra Total” de 'Amor à Vida', aquele que tenta ser engraçado, mas acaba deprimente. Nos fóruns de discussão na internet de meninas plus size (aquelas que assumem que são acima do peso “estabelecido” e viram meio militantes “da causa”), a personagem causa revolta. Não sem razão. Mensagem da trama: gorda é carente. Gorda é boba. Gorda ninguém quer. Gorda tem que ser HUMILHADA.

Engraçado que a mesma trama, que é elogiada por tratar o universo gay sem preconceitos e quebrar vários tabus ao mostrar o drama de Félix levando uma vida dupla e o casal feliz Nico (Thiago Fragoso) e Eron (Marcello Anthony) trate uma moça desse jeito. Isso em tempos em que se luta contra a ditadura da magreza e da chamada "gordofobia".
O autor da trama, Walcyr Carrasco, já avisou que a menina vai ter um final feliz. Mas, bem, ela vai ter que passar por tanto sofrimento e humilhação para isso? Jura? Gordo tem que sofrer? “Usa mais de 42, queima na fogueira”, sussurram várias vozes na mídia e no mundo da moda.

Uma novela com tanta influência propagar um preconceito desses enquanto posa de moderninha na causa gay é chocante. “O que será de mim?”, pensa uma espectadora adolescente gordinha vendo a novela. Difícil justificar, seu Walcyr.

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