Mulher rodada, eu prefiro você

Não é você, sou eu
Mulher rodada, eu prefiro você

Mulher rodada,
eu prefiro você.

Esqueça o dedo podre desses meninos tão pálidos, desses bezerros de condomínio. Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei (o que o tio Lupicínio me ensinou).

São meninos assustados, proto-eleitores do Bolsonaro querendo alguma atenção.

Mulher rodada,
eu te amo.

Nunca quis ser o primeiro. Não tenho vocação para ser o derradeiro. Se te peço uma carona, vai ser no meio do caminho.

No porta-mala apertado, encaixamos nossas bagagens - tal um quebra-cabeça complicado, mas divertido de montar. Vamos empilhar nossas caixas até que a torre desabe com grande desbunde e alegria. Veja tanta vida espalhada pelo chão - já não sei mais o que é meu. E acho bom.

Esses meninos, os poodles histéricos da internet, não entendem nada, não sabem a beleza de deixar pegadas, da delícia de um legado, de uma noite, de um muito obrigado, de voltar pra casa segurando o salto e ainda parar para comer um pão com manteiga na chapa.

Não sabem da benção que é ficar com você, mulher rodada.

Esses meninos, bestas que só, imaginam uma mãe iluminada, uma Nossa Senhora prenha de ar, cegonhas cruzando o céu e levando bebês azuis pelo bico. Esses meninos acreditam numa mãe mítica, num conto de fadas, numa mulher que não rodou. Mamãe, rodou também.

Esses meninos, lobinhos do escotismo, não sabem a delícia que é ter na memória o sabor de cada beijo, o morango, o chocolate, a menta e o açaí. Não sabem também que cada abraço pode ser calibrado de maneira diferente, que toda força, toda delicadeza,  pode ser respondida com improviso, com um xeque-mate surpreendente.

Esses meninos temem o seu repertório, suas respostas rápidas, sua pós-graduação, sua vasta experiência em algo que eles estão apenas tateando - feito cegos lendo um romance de suspense em braile.

Toda cama é um navio pirata. E cada navio tem sua própria lenda, traz feitos memoráveis, fracassos risíveis, dias de fome, dias de farra, marcas de vinho no lençol ou mesmo sangue. Esses meninos não brincam mais de pirata. Querem andar de iate, pagam para dar uma voltinha, e voltam pra casa deprimidos.

Esses meninos, esses de cabelo cremoso, temem a comparação, querem continuar reizinhos de um planeta desabitado, querem viver no faz de conta.

"Sim, reizinho, o seu pau não é o maior do mundo, tem cara melhor de cama que você e já fui muito feliz frequentando outra vida. Ouve, reizinho, escuta meu conselho, aproveita o que eu tenho pra te dar agora, é tão lindo e de verdade, mas você prefere imaginar o que eu deixei pra trás. Não é sofrido viver assim? ".

Mulher rodada, não se ofenda, tem gente que não enxergaria beleza e poesia mesmo que “beleza e poesia” fossem esfregadas na própria fuça (ou atiradas feito torta de creme).

Da minha parte, sou rodado também. Menos do que gostaria até. Portanto, vamos rodar juntos, andar de mãos dadas por aí e ouvir os meninos, esses patriotas patetas, calculando nossa quilometragem.

Morrem de inveja, esses cagões.

Leia também:

O amor possível dos Fumódromos

Todas as noivas são tristes

Devolvo o seu amor em 7 dias