O lado bom de Feminista estar na lista negra da Time

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A revista Time perdeu uma excelente oportunidade de perder a piada (de mau gosto) e optar pela compostura e pelo espírito do tempo. Ao incluir na sua relação anual de gírias batidas e expressões gastas a serem submetidas à votação online para serem “banidas” em 2015 a palavra feminista, abriu espaço para trollers elegerem o termo o número da “lista negra”. Ok, era pra ser brincadeira e parte das pessoas e da midia que reagiram muito negativamente à publicação serão tachadas de mal humoradas ou pior de … feministas.

O pedido de desculpas público da revista http://time.com/3576870/worst-words-poll-2014/ foi uma boa tentativa mas não resolveu. Time qualificou de “distração”a inclusão da palavra em uma lista que incluía bobagens como a onomatopéia om nom nom nom ou sorry not sorry (algo como desculpe por nada) ou bae (corruptela de baby, sweetie).

“Distração” é quase um novo insulto, mas deixa pra lá… O que eu gostaria de comentar aqui é que se Feminista foi incluída em uma relação de expressões que foram usadas além da conta em 2014, mesmo que em tão má companhia, chega quase a ser uma boa notícia. Pela primeira vez desde que Betty Friedan, Gloria Steinem e outras feministas (perdão, Time) de primeira hora colocaram em pauta a reivindicação pela igualdade de direitos das mulheres, o termo ressurgiu no universo pop, na boca de celebridades com maior ou menor nível de comprometimento com a causa, e isso é muito bom. Falar em feminismo nas redes sociais, em premiações de Hollywood ou discursos na ONU pode fazer uma grande diferença para a nova geração que talvez desconheça até o significado do termo.

Como escreveu a escritora e ativista feminista Robin Morgan em coluna na própria Time depois da bola-fora da revista: “Feminismo significa a libertação de uma força política: o poder, a energia e inteligência de metade da espécie humana até aqui ignorada ou silenciada. Mais do que qualquer outro tempo na história, essa força é necessária para salvar este planeta ameaçado. Feminismo, para mim é a política do século 21.”

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