Quando religião gera música boa – parte 2

Há algum tempo, por entender que música não tem religião, publiquei em minha coluna na antiga plataforma do Yahoo — que você pode ler aqui - um texto em que externei os meus artistas e bandas favoritas dentre aqueles que fazem um excelente som com base em suas convicções religiosas — que pode ser lido aqui. Naquela ocasião, deixei muito claro que era apenas a primeira parte do texto, que haveriam outras e que não havia qualquer ordem de preferência. Ali estavam os MEUS FAVORITOS. Ponto.

A ideia surgiu por causa da minha experiência por quinze anos como editor e diretor de Redação de revistas musicais voltadas a instrumentistas. Não houve uma única semana em que não recebia dezenas de cartas e e-mails de leitores pedindo matérias/entrevistas com bandas/artistas evangélicos, católicos, satanistas e o que mais você imaginar.

Tudo isto virava "matérias de pautas" quando um requesito básico era preenchido: se o trabalho do artista ou grupo era legal, se as composições eram boas e se os instrumentistas em questão eram competentes em seu trabalho. Nada além disto era levado em conta por mim e pelas equipes editoriais que comandei. E este tipo de critério me acompanhava até os dias de hoje e certamente estará comigo até o dia em que eu bater as botas.

Novamente, vou esclarecer que não tenho a menor intenção de tecer comentários a respeito da crença de cada um. Por mim, você pode acreditar em Papai Noel, marcianos, políticos honestos e no que mais de absurdo existir dentro da sua cabeça. Aqui, o papo é música. MEUS FAVORITOS. Deu para entender? Não precisarei desenhar, certo?

Volto a deixar claro que omiti a presença de artistas como Elvis Presley, Ray Charles, Johnny Cash, Aretha Franklin, Al Green e o U2, só para citar alguns exemplos de gente que sempre colocou em suas canções uma mensagem religiosa, explícitas e/ou sutis. Optei por incluir aqui aqueles que realmente construíram suas carreiras totalmente em cima de sólidos preceitos da crença de cada um.

É claro que muita gente vai se ofender porque esqueci de fulano, cicrano ou beltrano, mas como sei que muita gente me xinga por qualquer coisa que eu escreva, então isto não faz diferença. Vou me divertir do mesmo jeito.

Segue abaixo a segunda parte deste assunto. E vem mais por aí. É só aguardar...

TAKE 6

Este sexteto vocal já é velho conhecido de todo mundo e ainda hoje é absolutamente sublime na hora de encantar nossos ouvidos com harmonias e melodias feitas à capella. A habilidade de seus integrantes em termos de afinação e entrosamento é assombroso, a ponto de muita gente não acreditar no que está ouvindo quando os vê em ação no palco. Dê uma olhada nisto:

TROUBLE

As referências bíblicas nas letras eram mais evidentes nos primeiros discos, mas este grupo americano que muitos consideram como "doom metal" — uma bobagem, já que o som dos caras é uma mistura do típico heavy metal com elementos de stoner , hard rock e até mesmo psicodelia southern - nunca caiu na armadilha de rechear suas canções com letras típicas das bandas do estilo. Ao longo da carreira, as citações religiosas se tornaram cada vez mais implícitas, mas o som continuou poderosíssimo. Veja dois exemplos disto abaixo:

GLENN KAISER / RESURRECTION BAND

Seja em carreira solo ou com sua antiga banda, este estupendo guitarrista e pastor de Chicago sempre pregou a sua fé com um blues rock poderosíssimo, com solos faiscantes e um vigor instrumental que chegou a arrancar elogios do lendário e falecido Stevie Ray Vaughan. Dúvida? Então veja isto:

VENCEDORES POR CRISTO
Criado a partir de uma missão cristã fundada no Brasil no final dos anos 60, este grupo gravou alguns discos interessantíssimos na década seguinte, misturando rock, soul e bossa nova a serviço de letras completamente engajadas em termos religiosos. O mais legal era que tudo vinha embalado em arranjos muito bons em sua simplicidade.

NAOMI SHELTON & THE GOSPEL QUEENS
Sensacional grupo de soul music na melhor concepção do termo. Surgiram no mundo do disco apadrinhadas pelo ex-baixista de James Brown, Fred Thomas, lançaram alguns singles que passaram a ser sampleados por inúmeros DJs e enfim soltaram um álbum inacreditável em 2009, What Have You Done, My Brother?... Nem vou escrever mais nada. Veja o que elas fazem aqui embaixo e chore:

DCTALK
Este trio americano faz um pop elegante e "ganchudo", com composições dançantes e reflexivas na medida certa. Seu som lembra um cruzamento do Seal com o Lighthouse Famiily. Dá uma sacada:

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