Mãe com M maiúsculo

pat_maldonado

Oi, queridas e queridos! Feliz 2014 pra vocês!

Queria começar o ano novo aqui no blog com uma notícia que gerasse otimismo, fé e trouxesse força pra quem lê e precisa de uma palavra de apoio. Não conheço pessoalmente a atriz Isabel Filardis mas já era fã do trabalho dela, que conheço pela TV. Agora virei fã também da mulher e da mãe que descobri que ela é.

Isabel tem três filhos. O mais novo, Kalel, nasceu no último dia 28. A primogênita Analuz tem 12 anos e Jamal Anuar, tem 10. Isabel descobiu a gravidez do caçula prestes a completar 40 anos. No início da gestação a ginecologista avisou a atriz que a gravidez era de risco por causa da idade e do trauma que ela tinha passado com o filho do meio dignosticado, dois meses após o nascimento, com a Síndrome de West, um tipo epilepsia que altera o desenvolvimento mental. Isabel não se importou com o aviso da especialista. Decidiu seguir com a gravidez. "Estava escrito nas estrelas que seria mãe de novo", declarou emocionada em uma recente entrevista a revista Contigo.

Veja também:
Retrato de Mãe - Mães que se doam
Retrato de Mãe - Mães de filhos especiais
Retrato de Mãe - Gravidez aos 40 anos

A gravidez exigiu cuidados. A atriz precisou fazer uma cirurgia no útero para segurar a gestação, foi obrigada a fazer repouso. Atividades corriqueiras, como ir ao shopping, foram proibidas. Mas ela não esmoreceu. Se cuidou e Kalel nasceu saudável, no oitavo mês de gestação.

A historia é linda, uma batalha cheia de emoção que termina com final feliz. Mas a carta que vem a seguir, que ela escreveu para os dois filhos maiores, anos atrás, foi o que mais me chamou a atenção e que me mostrou que eu tinha encontrado o que eu queria para o blog: um exemplo de mãe guerreira, determinada a cuidar de seus filhotes como uma leoa. Peço que vocês a leiam até o final e garanto que valerá a pena. Um beijo pra você, Isabel. E um cheiro nesse bebezinho que acaba de chegar! A você, leitora e leitor, desejo inspirações como essa, para enfrentar os problemas que venham a aparecer!

Queridos Jamal e Analuz,

"Você, Analuz, nasceu em um parto normal, que poderia chamar de tranquilo. Quando você estava com um ano e meio, mamando no meu seio ainda, nossa casa ficou pronta. Fiz loucuras. Carreguei caixas, lavei chão. Não sentia nada. Depois de um tempo, vieram os enjôos, a falta de apetite. Quando fui ver, estava grávida do seu irmão, Jamal.

Você, meu filho, nasceu em uma cesárea aflita. O cordão umbilical se enrolou no seu pescoço - e depois, para a nossa preocupação, na sua cintura. Passado o susto, estava tudo bem. Mas comecei a achar que havia algo estranho na amamentação. Você tinha dificuldade de sugar o leite. Me sentia péssima. Eu não desisti e lhe dei meu leite com colherzinha até os seis meses. Você se submeteu a um encefalograma e os médicos constataram a síndrome de West (uma doença que deteriora os neurônios e causa atraso no desenvolvimento psicomotor), quando tinha cinco meses. Até os dois anos, eu e seu pai Júlio César precisamos levá-lo ao hospital várias vezes. A síndrome deixa sequelas respiratórias e qualquer resfriado podia se converter em uma bronquiolite. Eu sofria, mas não me revoltei. Sempre mantive a fé de que você ia vencer. E venceu. Em agosto, um novo encefalograma revelou que você venceu a síndrome de West. Mas só teremos certeza da vitória plena quanto você atingir sete anos, idade considerada crucial para o crescimento da criança. Jamais deixo de estar vigilante. Nossa rotina semanal inclui quatro sessões de fisioterapia, duas de fonoaudiologia, uma aula de equoterapia (com cavalos), e logo você fará psicoterapia e terapia ocupacional.

Filho, você me ensinou muito sobre superação. Crianças especiais são como borboletas. Têm o tempo certo de florescer, pôr as asas e sair do casulo. Gostaria que todas as mães do mundo vibrassem a cada movimento dos filhos. Uma das conquistas que mais me emocionaram foi o seu sorriso. Você tinha um ano de idade quando o vi abrir um enorme pela primeira vez. Estava ajoelhada na sala contando uma história para sua avó, que o ninava. De repente, eu me joguei no chão. Perplexa, notei que você estava gargalhando. Ajoelhei, me atirei de novo e você voltou a soltar um sorrisão. Eu ria e chorava. Vê-lo feliz me fez sentir muito poderosa. E tenho me sentido cada vez mais assim, com munição e fé para lutar ao lado de vocês".