Amar demais está bem distante de amar…

Por vezes, vejo pessoas anunciando em alto e bom som: "o problema é que o amo demais". Como se isso merecesse uma MEDALHA, um TROFÉU, um sei lá o quê. Imaginam que são muito generosos, muito apaixonados, muito "super, mega, giga" amorosos.

Pois é, temo em lhes dizer que NÃO.

E, se estivesse na sua pele, pensaria 10 vezes, antes de afirmar AMO DEMAIS. Amar demais é uma síndrome daqueles que vivem com uma confusão de pensamentos e sentimentos que os tiram do Ser. Logo, quem ama demais, não vive a própria vida. Anula-se para viver a vida e os sonhos do outro.

Por isso, vive numa confusão danada interna. Só consegue receber se for através do outro. Só consegue ser feliz a partir do outro. Só consegue sorrir a partir do outro.

Ou seja, se o outro existe: existo. Se o outro está feliz, estou feliz. Se o outro está triste, estou mais triste ainda.

Fácil?

Pois é, meu caro leitor. Não é mesmo nada fácil a vida de quem ama demais. Primeiro: porque desconhece conscientemente o tamanho da sua dependência pelo outro. Segundo: porque cobra do outro uma atitude similar à sua. Quer que este também se anule para ser igual a ele — O MAIS DEDICADO, O MAIS SENSACIONAL, O MAIS ...

E, em muitos casos, o outro é que é o saudável, que pode, até, amar sem distorcer.

Fato, amar demais é uma distorção do amor. É um amor condicionado. Eu faço tudo pelo outro, se ele fizer tudo de volta para mim.

Convenhamos, essa não é a melhor forma de se dizer generoso, amoroso, super... O que você acha?

Será que, dessa forma, fica fácil compreender que quem AMA DEMAIS deveria buscar ajuda, a fim de parar de servir de capacho, de ponte, de qualquer coisa para ver o outro feliz e, incauto, esperar que o outro, um dia, reconheça tamanha benevolência?

Será que, dessa forma, fica fácil perceber que quem faz muito pelo outro, esperando tudo de volta, não faz nada? De fato, está fazendo por si mesmo? Faz para receber medalha. Faz para receber amor distorcido. Faz para receber misericórdia...

Será isso amor? Será mesmo um orgulho sair por aí batendo no peito e gritando EU O AMO DEMAIS! Como se isso fosse positivo?

Pois é, AMOR não tem nada a ver com quantidade e, sim, qualidade. Amor demanda respeito, compromisso, renúncia, afeto, cuidado, responsabilidade e, muita, muita autoestima, para que possamos dar ao outro só o nosso melhor.

Será que, dessa maneira, fica fácil o entendimento? Se você ama demais ou conhece alguém nessa condição, que está nesse momento se deixando manipular, usar, ser tripudiado por um outro que só quer sua liberdade, comente aqui, nesse espaço. Precisamos juntos desmistificar o que é esse problema.

A solução — buscar ajuda. Participar de grupos de terapia, grupos de ajuda como MADA, HADA, etc. Afinal, ninguém sai sozinho desse amor doentio. Não há como sustentar uma separação por mais benéfica que ela possa ser no momento.

Sandra Maia é autora dos livros Eu Faço Tudo por Você — Histórias e Relacionamentos Codependentes, Você Está Disponível? Um Caminho para o Amor Pleno e Coisas do Amor.

Dúvidas sobre relacionamentos? Envie para s2maia@yahoo.com.br que elas poderão ser comentadas aqui no blog

Mais informações sobre a autora no www.sandramaia.com ou no blog www.coisasdoamor.com.br