Terminar um relacionamento dói. Sempre

Dando continuidade à série “Conselhos que as pessoas pedem ao Amigo Gay”, uma amiga me ligou no final de semana toda triste por causa do fim do namoro. O mais curioso é que a história entre ela e o bofe andava mal das pernas faz tempo. Toda vez que falávamos do relacionamento dela, choviam reclamações sobre o desempenho do rapaz. A moça sempre se questionava sobre a validade de insistir na relação e na maioria das vezes ela chegava a conclusão que a melhor coisa a fazer seria partir para outra. Ainda assim, quando o lance efetivamente acabou, ela se viu sem chão, desolada pela perspectiva da vida longe do namorado.

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Fim de namoro nunca é fácil. Por mais que a história esteja desgastada e boa parte do carinho inicial tenha se transformado em mágoa, preguiça ou irritação, sempre sobra algum afeto. Sempre sobram as fotos tiradas junto, as viagens, as risadas, as piadas internas. Sempre sobra aquele idioma secreto que duas pessoas criam quando se tornam amantes e que ninguém mais entende, ainda que ele tenha caído em desuso e se transformado em uma língua morta.

Porque o que dói não é a falta do que fazer com as tardes de domingo ou não ter mais a companhia perene para as nossas pequenas alegrias. O que dói não é ter que reinventar o futuro ou desistir do passado. Dói ter que arrancar cada plano de dentro de nós. Dói ter que mudar o nome dos sonhos. Dói ser obrigado a assistir o tempo passar porque não nos resta mais nada a fazer.

E embora achemos que esse amor esteja conosco desde sempre, não nascemos amando. E por mais que nunca amemos igual em nossas vidas, a dor de hoje vai se transformar em saudades. Mas não naquelas saudades que cortam e sangram, mas em uma saudade branca e boa de sentir. A saudade dos sonhos irrealizados, não porque as coisas deram errado, mas porque a vida tomou outro rumo.

Então, caso esse amor não seja soterrado por um ainda maior, porque algumas paixões ressoam sempre dentro da gente e isso não nos impede de amar outra vez, vamos nos lembrar dele como um capítulo inesquecível de nossas vidas. Talvez o mais brilhante deles. E vamos colocá-lo na mesma prateleira dos nossos desejos de infância e dos sonhos que ficaram para a outra vida. Porque não é vergonha nenhuma deixar algumas pontas soltas. Vergonha é desistir de atá-las algum dia.

Longe de mim fazer campanha contra a dor do término. Afinal, momentos sombrios fazem parte da experiência humana tanto quanto os dias de glória. Pelo contrário. Precisamos entender melhor qual é o papel dessa dor, quais as lições que ela traz e os caminhos que ela aponta. Só assim a viagem ao fundo do poço não terá sido em vão.


*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para amigoo_gay@yahoo.com.br. Quem sabe eu não tenho um bom conselho para te dar.