Pitty defende Anitta nas redes sociais: NOSSO CORPO É NOSSO

Alguns dias atrás, a cantora Pitty virou notícia na internet ao defender em seu blog a funkeira Anitta. A mensagem de apoio foi uma resposta às diversas mensagens que a roqueira recebeu de fãs indignados com o fato de a intérprete de “Show Das Poderosas” estar fazendo cover das canções “Máscara” e “Na Sua Estante” em alguns shows. Segundo Pitty, o que a deixou intrigada-barra-preocupada é que o conteúdo de muitos comentários tinham mensagens como “credo, essa menina cantando sua música, ela fica aí mostrando o corpo, sendo vulgar”. Ou seja, o que incomodava as pessoas não tinha nada a ver com estilo, mérito musical ou a qualidade das apresentações, mas sim com o fato de Anitta ser uma artista sensual. CE JURA?

Leia também:
A Marcha das Vadias: o corpo é MEU, só MEU e quem manda nele sou EU
E se homens e mulheres mudassem de lugar?
Mulher Maravilha? Não, obrigada!

Fiquei bem feliz com a postura que a Pitty assumiu com relação ao episódio. Primeiro porque acaba com aquele recalque folclórico que coloca mulheres “inteligentes” e “bonitas” em lados opostos do balcão. Porque, queridas, não se enganem, vocês estão todas no mesmo barco. Intelectuais ou mulheres fruta, vocês são vítimas do mesmo machismo, estão a mercê da mesma violência que nasce da ideia bizarra de que homens são superiores e que por isso podem dispor dos corpos e vidas femininas como quiserem.

Então, pense um pouco melhor antes de sair por achando a vida injusta porque a Paniquete ganha uma fortuna (o que não é verdade) para ficar balançando a bunda na TV enquanto você, que fez faculdade, rala para caramba e não consegue fazer o salário chegar ao final do mês. Afinal de contas, se conquistar um corpo sarado fosse assim tão fácil, as ruas do Brasil seriam uma sucursal das praias da série SOS Malibu (ok, acabei de entregar a minha idade). O que nós sabemos estar looooonge da realidade.

Não estou dizendo que a atividade intelectual tem menos valor do que um corpo esculpido na academia. O que eu quero dizer é que não há razão para um embate. “Inteligentes” e “gostosos” não precisam estar em times opostos. Há espaço para todos. Nem todo mundo nasceu para ser cientista da Nasa ou filósofo, da mesma forma que não ter um corpo escultural também não é para qualquer um. Eu, por exemplo, não estou me encaixo em nenhuma das duas categorias. #classemediasofre

Ok, admito que a maioria dessas moças que andam por aí ribombando seus quadris avantajados em trajes diminutos não são exatamente gênios. Mas grande parte da população também não é. O ponto aqui é a ideologia que presume, logo de saída, que só porque a moça é gata precisa ser cabeça oca. A própria Anitta, se não me engano, antes de se arriscar com seu exército de poderosas tinha um cargo bacana em uma multinacional. A moça fala vários idiomas e consegue discorrer com alguma desenvoltura sobre uma variedade de temas bem maior do que o brasileiro médio. Eu mesmo já vi algumas entrevistas em que ela se saiu super bem. Mas é só ela aparecer vestindo shortinhos que varremos tudo isso para debaixo do tapete e passamos a ver só a moça de bunda grande que canta mais ou menos bem.

Não sei vocês, mas eu acho um absurdo essa história da pessoa ter que escolher entre ser bonita e ser inteligente. Eu quero ser os dois. Por ser jornalista, as pessoas esperam que eu tenha um conhecimento razoável sobre um milhão de coisas. Curto essa “cobrança” e rola uma certa vaidade intelectual em atender a essas expectativas. Mas não me resumo a isso. Apesar da minha barriguinha de cerveja, também quero que os outros me achem gato e, dentro das minhas “limitações” também quero ser fisicamente atraente. Ao meu ver, não há nenhum tipo de conflito em ter um pé em cada lado dessa linha. Por que com as mulheres seria diferente?

Sério, gente, que em pleno 2014 o povo ainda joga pedra em quem usa roupa curta e não tem vergonha ou pudor de ser sensual? Volta e meia eu falo sobre a importância das mulheres se empoderarem de seus corpos e deixarem para lá esse moralismo babaca que julga o caráter ou o talento de alguém com base no tamanho da saia. Eu deixo vocês com as palavras da própria Pitty sobre essa história toda. Espelhem-se no exemplo dela. Entendam que um mundo verdadeiramente igualitária só será possível a partir da transformação de cada um de nós. Bora começar?

“NOSSO CORPO É NOSSO. Não deixe ninguém te dizer o contrário. Desfrute dele, assuma-o com a forma e tamanho que ele tiver, vivencie seu corpo- assumindo a responsabilidade que isso traz. Nós podemos usar a roupa que quisermos, podemos dizer o que quisermos, podemos ficar com quem quisermos, a hora que quisermos. Somos donas do nosso destino e estamos aqui para sermos felizes e nos sentirmos bem. O resto, meus amores, é só opressão.”


*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para amigoo_gay@yahoo.com.br. Quem sabe eu não tenho um bom conselho para te dar.