Loucuras em nome da estética: até quando, minha gente?

Amigo Gay

Já falei antes sobre a pressão absurda que as mulheres sofrem para serem perfeitas. Evito repetir assuntos, mas quando li a notícia que a mulherada nos Estados Unidos estava arrancando o dedinho para poder usar sapato de salto sem sofrer não me contive. Eu entendo o fato das pessoas fazerem sacrifícios temporários em algum nível para ficarem mais bonitas e impressionarem. Mas tudo na vida tem limite e automutilação ultrapassa todos eles.

Leia também:
Mulher Maravilha? Não, obrigada!
Primeiro as damas?
Eu não sou cachorro não!

Aí você me diz: “É só mais uma cirurgia plástica feita em um lugar do corpo que permanece escondido grande parte do tempo e que não traz maiores consequências para a mulher”.  Eu não discuto o procedimento (que deve ser seguro e não deve representar risco para aqueles que se submetem a ele). Eu questiono a ideologia por trás dele. Questiono a ideia de que é preciso alterar o corpo por causa de um par de sapatos.

Eu não faço ideia do que é ter que sair por aí se equilibrando em saltos altíssimos ou sapatos de bico fino. Tenho a sorte de poder ir a todos os lugares calçando tênis sem que ninguém torça o nariz para isso. Ainda assim me recuso a acreditar que não haja uma alternativa para as mulheres. O ser humano já conseguiu pisar na Lua. Não é possível que não consiga fazer sapatos mais confortáveis. Que tal cobrar melhorias nos produtos fabricados antes de sair por aí arrancando partes do corpo. Ou simplesmente escolher modelos mais baixos. O que não dá é para ser refém dessa história.

Estamos falando dessa nova cirurgia, mas as loucuras que as mulheres fazem em nome da beleza não são nenhuma novidade. Se eu ganhasse R$ 1 para cada dieta maluca que eu já vi minha irmã fazendo para perder peso de forma rápida e milagrosa, eu poderia largar tudo e ir viver no Caribe sem nunca mais me preocupar com dinheiro. E não pensem que ela estava super acima do peso e se meteu em todas essas roubadas movida por algum tipo de desespero. Ela sempre foi uma garota linda, mas se deixou convencer pelas capas das revista que precisava ser mais magra. Tenso.

E a fixação pelos cabelos lisos. De vez em quando pipoca uma notícia na imprensa de aguém que morreu intoxicado pelos produtos químicos usados no alisamento. Não que essas mulheres tenham procurado por isso. Estamos falando de acidentes. Para a nossa sorte, a grande maioria das pessoas conseguem se livrar dos cachos sem correr nenhum perigo. Mas e quem não tem dinheiro para procurar um profissinal e resolve fazer tudo em casa. Triste pensar que tem gente colocando a vida em risco só para deixar as madeixas escorridas.

As cirurgias plásticas também podem representar um problema sério se não forem feitas por profissionais capacitados. As clínicas que oferecem procedimentos a preços acessíveis e facilitam o pagamento pululam aos montes hoje em dia. Não acho que a popularização seja ruim, mas me preocupo com a qualidade dos serviços. Afinal estamos falando de cirurgias invasivas que muitas vezes exigem que os pacientes tomem anestesia geral. Se com um médico conceituado as chances de algo sair errado já existem, imagine com alguém de quem você nunca ouviu falar. Na boa, não há pneuzinho que justifique um risco desses.

Não condeno os esforços para ficar mais bonita. Acredito de verdade que a gente tem correr atrás da nossa felicidade. Se isso inclui perder 10 quilos e ficar loira vamos emagrecer e descolorir o cabelo. O que não me desce é a necessidade de se encaixar a qualquer custo. É a obrigação de se enquadrar em um padrão que faz 98% das mulheres infelizes. Não existem vítimas nessa história. Apenas cumplices. Porque cabe a cada uma de vocês virar esse jogo e estabelecer novas regras. Fim de ano está chegando. Que tal aproveitar a data cheia de simbolismos para dar início a essa revolução?

*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para amigo_gay@yahoo.com.br. Quem sabe não eu não tenho um bom conselho para te dar.