Faça amor, não faça joguinhos

Essa história de escrever para uma coluna de conselhos muda a forma como as pessoas veem a gente. Mesmo aquelas pessoas que já estavam na minha vida muito antes de eu me tornar o Amigo Gay. Vira e mexe as pessoas brincam com esse personagem, uma mistura de terapeuta, ombro amigo e confidente, e me contam seus problemas pedindo orientações sobre como agir nas mais variadas situações. Não nego ajuda, só deixo claro que não passo de um sujeito que adora meter o bedelho na vida dos outros.

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O último episódio dessa história aconteceu semana passada. Uma amiga me procurou para contar que estava completamente caída por um cara. Entre planos mirabolantes para chamar a atenção do sujeito e dúvidas se ele também estava a fim dela, o que me chamou mais atenção foi a preocupação dela de estar muito envolvida, dedicando muito tempo e energia a uma história que nem existia. Olhando em volta, e principalmente dentro de mim, percebi que esse é um dos maiores medos que impregna os relacionamentos na atualidade: o medo de se envolver demais.

Gente, dando continuidade a minha campanha “Faça amor não faça joguinho”, segue, mais ou menos o que eu disse para ela:

“Minha cara, a vida é assim. Todo envolvimento exige encanação. Porque essa história de não ligar, de dar tempo ao tempo e de ir com calma é coisa de gente chata que anda entorpecida. Gente q confunde coragem com medo de sentir.

Eu defendo o direito irrevogável, amplo geral e irrestrito de as pessoas ficarem encanadas.

Porque cada vez mais as pessoas se forçam a não estar nem aí. A não esperar o telefone tocar. A não torcer para ele vir falar com a gente. A não se imaginar casado e com filhos depois do primeiro encontro. Porque é proibido ser visceral e maluco e intenso. Porque temos que ser corretos e ponderados. Equilibrados e justos. Adultos e maduros. Só que estar com alguém, de verdade, não tem nada de adulto, maduro, ponderado ou justo.

Estar com alguém, de corpo e alma, é essa coisa sem controle, sem pé nem cabeça que pega a gente pelos colarinhos e enfia o dedo na nossa cara. E a gente aceita e gosta. Não porque é mulher de malandro, mas porque sente falta da insanidade natural do estado humano. Porque vivemos, cada vez mais, em ambientes herméticos, onde tudo tem hora, lugar e jeito certo para acontecer. ‘E não vou ser eu a dar o braço a torcer e demostrar algum tipo de passionalidade’.

Pro inferno com os pesos e medidas. Pro inferno com essa gente que equilibra um cigarro em uma mão e uma bebida na outra e diz ser forte sem sentir nada.”


*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para amigoo_gay@yahoo.com.br. Quem sabe eu não tenho um bom conselho para te dar.