Estudante é vítima de homofobia em São Paulo: até quando, Brasil?

Arthur Henrique Chioramital

Na noite da última segunda-feira (3) o estudante André Baliera, de 27 anos, foi covardemente agredido na Avenida Henrique Schauman, na zona oeste de São Paulo. A violência foi um ato explícito de homofobia. Segundo testemunhas, André estava caminhando pela calçada quando começou a ser insultado por Diego Mosca Lorena de Souza, de 29 anos, e seu amigo, o estudante de logística Bruno Paulossi Portieri, de 25 anos, que passavam de carro pelo local. André revidou as ofensas, o que levou os dois agressores abandonarem o veículo e o agredirem. A sessão de socos e pontapés só parou quando policiais militares chegaram para ver o que ocorria e detiveram Diego e Bruno. Os dois foram indiciados por tentativa de homicídio.

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Até quando veremos notícias como essas nos jornais? Até quando pessoas serão agredidas e mortas por serem diferentes da ordem dominante? Até quando Brunos e Diegos se acharão no direito de ofender e perseguir quem quer que seja? Até quando o Estado vai virar as costas para essas vítimas?

Pensei muito antes de escrever sobre isso no blog. Apesar da indignação e do medo que senti depois de tomar conhecimento do episódio, eu trabalho perto do lugar onde tudo aconteceu e costumo passar por ali com o meu namorado, não estava muito certo se este era o melhor lugar para discuti-lo. Isso, até perceber que agressões como as sofridas por André, que nesse caso é um exemplo claro de homofobia, são motivadas e legitimadas pela mesma ideia distorcida e infundada de superioridade que está por trás da violência contra mulher, negros, nordestinos, judeus ou qualquer outra "minoria".

Então, cuidado antes de apoiar os atos abomináveis desses dois brutamontes. Se não por uma simples questão de civilidade e senso de justiça, por medo. Porque pessoas que são capazes de entrar com um carro na contramão para bater em um rapaz sozinho, possivelmente não hesitarão em ofender uma garota por estar com uma saia "muito curta" ou em bater na namorada porque ela os contrariou. Afinal, eles são brancos, heterossexuais, sarados e bem sucedidos e por isso lhes foi concedido o direito quase divino de fazer o que bem entendem com quem quer que seja.

Não estou exagerando. Agressões como a que André sofreu se baseiam única e exclusivamente na ideia de que certas pessoas são cidadãos de segunda classe e como tal são totalmente destituídos de direitos. Inclusive o direito de existir. Hoje são os homossexuais. Antes deles eram as mulheres e os negros. Quem serão os próximos? Os gordos? Os baixos? Os vesgos? Aos que me acham paranoico gostaria de lembrar que até pouco tempo atrás, porque historicamente um século é quase nada, era proibido ser canhoto e os deficientes físicos eram considerados filhos do demônio.

Mas nem tudo são nuvens nesse céu. As pessoas que presenciaram a agressão não hesitaram em testemunhar contra Diego e Bruno. Todas afirmaram que se tratou de crime motivado por homofobia. Ao que tudo indica, os ventos da mudança começam a soprar, mesmo que levemente.

Indignadas com o ocorrido, pessoas de todas as orientações sexuais (sim, existem mais do que duas) estão organizando um encontro para marcar posição e cobrar a criminalização da homofobia. O ato será no próximo sábado (8) às 15h no mesmo lugar onde André foi espancado. Eu estarei lá. Seria incrível se vocês também estivessem.

Eu deixo vocês com as palavras do pastor luterano Martin Niemöller. Ele percebeu, já na década de 30 do século passado, que crimes como esse não são contra esse ou aquele grupo. São contra a humanidade.

Voo Noturno

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar".

*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para amigo_gay@yahoo.com.br. Quem sabe não eu não tenho um bom conselho para te dar.