Black Alien completa 25 anos de carreira: 'saco cheio de política e de pessoas'

Black Alien completa 25 anos de carreira (Foto: Ivan Shupikov/Divulgação)
Por Erik Paulussi

Em 1993, Gustavo de Almeida Ribeiro subia nos palcos sem saber o que o aguardava pela frente. Cerca de 25 anos depois, o carioca de São Gonçalo tornou-se um dos principais nomes do rap nacional. Ainda não sabe de quem estamos falando? Talvez o nome artístico ajude: Black Alien.

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O músico é uma das principais atrações do Maze Fest 2018, em São Paulo, no próximo domingo (26).  As duas décadas e meias em uma carreira tem altos e baixos: do auge da fama quando foi integrante ao lado de Marcelo D2 do Planet Hemp e do icônico Babylon By Gus Vol. 1 (2004), mas também do abuso de drogas e álcool. E agora, um momento de redenção, onde está mais focado que nunca em sua música.

Muita gente veio me cobrar, dizer que eu devia ter me posicionado mais e tal. Mas meu momento é outro.

Aos 46 anos, Black Alien só se arrepende das coisas que deixou de fazer. “A parte negativa foi importante para a caminhada, mas no fundo elas prejudicaram mais a mim do que outras pessoas. Foi um passo que precisei passar. Agora, gostaria de ter aproveitado mais algumas oportunidades, de ter feito mais. Eu entendo o poder de influência da minha música, das minhas letras. Mas fui desleixado, não dei tanto respeito a isso durante muito tempo”, conta.

Nos períodos onde o vício em drogas e álcool bateu forte (ele chegou a ter duas overdoses entre 1999 e 2013), o rapper teve um momento de hiato na carreira. Mas seu nome nunca perdeu o peso e, mesmo atualmente, onde a cena do rap nacional tem atingido um nível de popularidade (e até em quantidade de nomes reconhecidos), ele segue sendo um expoente para a nova geração.

Black Alien completa 25 anos de carreira (Foto: Ivan Shupikov/Divulgação)

“Como fiquei muito tempo longe da cena, até me impressionei quando voltei a interagir com esse pessoal. Eles me tratam muito bem, sempre falam dos meus trabalhos. E eu também tenho uma admiração grande por muitos deles. Tem muita gente boa por aí”, comenta.

Entre os nomes em evidência, Black Alien cita BK – confirmado no Lollapalooza 2019 e com quem já participou de uma música -, Baco Exu do Blues, Froid e Sant. Talvez você não os conheça, mas todos ostentam milhões de acessos nas plataformas digitais.

Novo trabalho em 2019

Gustavo conversou com o Yahoo por telefone, em uma pausa de estúdio. O músico está preparando um novo disco que, segundo o próprio, deve sair até 2019. Este será o terceiro trabalho solo, que sairá quatro anos após No Princípio Era o Verbo – Babylon By Gus Vol. 2.

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Aos fãs, ele garante: será o mesmo Black Alien de sempre. “Gosto muito da forma como escrevem atualmente, mas não é meu estilo. Eu gosto de ir anotando coisas e desenvolver minhas rimas em cima disso.”

Política? Cansou

Em 2018, a política invadiu a conversa dos brasileiros. As disputas presidenciais, especialmente, polarizaram o país – e os artistas não ficaram de fora. Um dos companheiros de longa data de Black Alien, Marcelo D2, foi um dos principais críticos do presidente eleito Jair Bolsonaro nas redes sociais.

O rapper, entretanto, preferiu focar no trabalho. “Estou de saco cheio de política e das pessoas. Muita gente veio me cobrar, dizer que eu devia ter me posicionado mais e tal. Mas meu momento é outro, preferi me concentrar na música”.

“Em 47 anos, eu vi muita coisa mudar. Eu já fui preso por coisas que falei e defendi, e não me arrependo disso. Não vamos deixar de lutar. Mas seja quem estiver eleito, a gente vai continuar dando um jeito de sobreviver, de garantir o sustento”, completa.

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