Björk toca com orquestra brasileira e sem eletrônica no Primavera Sound

SÃO PAULO, SP, 05.11.2022 - A cantora Bjork durante apresentação no festival Primavera Sound, realizado no Anhembi, em São Paulo, neste sábado. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 05.11.2022 - A cantora Bjork durante apresentação no festival Primavera Sound, realizado no Anhembi, em São Paulo, neste sábado. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Foi com um educado "boa noite" que a islandesa Björk subiu a um dos palcos principais do Primavera Sound neste sábado (5), como a primeira headliner da edição de estreia do festival importado de Barcelona. O evento acontece em São Paulo até domingo (6) e trouxe a cantora de volta ao Brasil após 15 anos --e acompanhada da orquestra brasileira Bachiana Filarmônica.

Convidando a uma espécie de imersão, Björk levou o show todo sem nenhum tipo de percussão ou batida, capturando o público pelas melodias densas e vocais sinuosos. O pôr do sol alaranjado emoldurou o fim de tarde no Sambódromo do Anhembi, com um público que ficou parado, com os olhos pregados na cantora.

Usando uma espécie de vestido que misturava um tecido florido a outro vermelho e mangas de látex --além de um adereço prata no rosto--, ela abriu o show que trouxe sua turnê atual, Orkestra, pela primeira vez ao país. Nela, é praxe da islandesa viajar com seu maestro, Bjarni Frímann, que rege grupos locais.

O show segue o lançamento de "Fossora", seu décimo disco, lançado há menos de dois meses. Apesar disso, Björk preferiu cantar as antigas, com apenas "Ovule" representando o disco mais recente.

Antes do show começar, o telão exibiu por mais de uma hora mensagens em inglês e português que recomendavam "gentilmente" que os fãs não tirassem fotos ou gravassem vídeos porque isso poderia ser uma distração para a cantora e as pessoas ao redor --a mensagem ainda dizia que a fotos da apresentação estariam disponíveis no site dela. Björk, aliás, foi uma das artistas que não autorizaram que fotógrafos da imprensa registrassem seu show.

O pedido surtiu efeito e, logo na primeira música, os poucos que miravam o palco com os celulares o faziam de forma mais discreta, sem erguer os braços.

Foi um show raro nesse sentido --uma experiência totalmente diferente de ver não só em festivais de música, mas em tempos de stories do Instagram e TikTok. Enquanto Björk cantava suas músicas experimentais e atmosféricas, o público permanecia atento ao palco, com poucos celulares e cochichos pontuais.

Ela ainda cantou faixas como "Isobel", "Black Lake" e "Quicksand", além de hits mais antigos como "Hyperballad", de 1995, e "NotGet" e "Hunter", de 1997 --todas adaptadas aos arranjos de cordas. Antes de começar a tocar a intensa "Pluto", que fechou o show, a islandesa brincou com o público, perguntando se as pessoas estavam prontas para um "techno de cordas".

Björk cantou no palco que leva o nome do festival, localizado logo antes das arquibancadas do Sambódromo, com capacidade para 40 mil pessoas.

Ao longo do sábado, de clima ameno, o público circulou pela estrutura do evento, que ocupou o Distrito Anhembi como nenhum outro evento desta magnitude antes. Além dos palcos na pista onde desfilam as escolas de samba, o festival teve shows no Auditório Elis Regina, entre eles os dos baianos Josyara e Giovani Cidreira, além do paulistano Tim Bernardes.

Há dois núcleos de shows no Primavera --um no Sambódromo e outro numa área com um estacionamento e um galpão--, e o público tem de caminhar cerca de dez minutos entre um e outro. Nesse segundo lugar, fica o palco Becks, o maior do evento, com capacidade para 45 mil pessoas, do qual o Arctic Monkeys é a atração principal, mas nele já tocaram o cantor indie americano Helado Negro e a banda conterrânea Interpol.

Devido às árvores nesse palco, a organização multiplicou os telões para não comprometer a visão do público.

Dentro do galpão ficam a praça de alimentação e o palco eletrônico, que mesmo durante o dia se mantém escuro, o que ajuda no espetáculo de luzes e telão, fundamentais para a experiência desse estilo de música.

Foi nesse palco, aliás, que a DJ e produtora paulista Badsista exibiu no telão desenhos de pessoas vestidas com a camiseta do Brasil penduradas em caminhões --fazendo chacota das manifestações golpistas feitas por bolsonaristas nos últimos dias. A plateia, formada quase toda por homens gays, gritou e aplaudiu quando viu as imagens, ainda no começo da tarde, quando o público chegava ao evento.