Nem indecisos, nem promíscuos: Bissexuais desmistificam orientação sexual

Mais respeito com os bissexuais (Foto: Getty Images)

Bissexuais rebatem os pensamentos (muito) equivocados e preconceituosos mais comuns que têm que enfrentar. Respeita as e os bis!

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Ser bi não é fase

“As pessoas acreditam que é só uma fase e que em algum dia teremos que escolher ficar com homens ou ficar com mulheres. Ninguém deixa de ser bissexual por namorar um homem ou uma mulher”, diz o atuário Rafael Lima, de 26 anos. O fotógrafo Itamar Rangel, de 30 anos, confirma o preconceito. “Acham que passa e que logo uma preferência irá se sobrepor”, diz. Não, não vai.

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Bissexuais não são predadores sexuais...

Pode parecer óbvio dizer isso, mas vale reforçar: bis não necessariamente querem fazer sexo a três, a quatro, em grupo e nem vão sair transando com qualquer pessoa de forma indiscriminada. “Acho que o pior mesmo é quando associam bissexualidade com promiscuidade”, diz Aline Novais, 25, doutoranda em astronomia. Outra atitude péssima é achar que pessoas bis são sinônimo de aventuras sexuais. “É complicado quando os homens reagem com um sorrisinho malicioso quando digo que sou bi”, diz Danielle da Costa, cozinheira de 44 anos.

Nem incapazes de fidelidade

“Incomoda principalmente quando dizem que por ser bi a gente tem mais chances de trair o parceiro ou de ter doenças. É o cúmulo do ridículo. Tem gente que pode estar firme e forte em um relacionamento de anos e continuar sendo bissexual. Tem gente que gosta de ser solteiro e beijar na boca. A sua orientação sexual não tem nada a ver com isso”, continua Aline. “O pior de tudo pra mim é quando acham que por ser bissexual sou pouco confiável no tocante à fidelidade, porque mais cedo ou mais tarde vou sentir falta do outro sexo”, diz Dani. Esse pensamento é ofensivo e equivocado.

Bissexuais não estão indecisos e nem são covardes

Pessoas bissexuais não estão tentando se decidir. “Existe uma acusação de ser indeciso ou não ter coragem o suficiente para se assumir homossexual. Esse tipo de comentário é absurdo por dois motivos. Primeiramente, porque invisibiliza uma realidade vivida por mim e muitas outras pessoas todos os dias. Além disso, é uma total invasão de espaço pessoal, na medida em que só eu posso ser capaz de definir exatamente o que eu sinto e não sinto no momento em que vivo. Querer definir isso por mim é, além de ofensivo, uma imensa prepotência”, explica Pedro Paixão, estudante de 22 anos.

Bissexuais não têm “o dobro de chances”

É desrespeitoso reduzir a sexualidade de um grupo à noção de que essas pessoas querem se dar bem para pegar mais gente. “O tipo de fala que mais me incomoda, que eu já ouvi várias vezes, é a de que eu sou esperto, porque isso me dá mais chances de ficar com alguém. Minha sexualidade é minha sexualidade, não um acessório com que eu posso brincar pra ter mais chances de ficar com alguém”, diz Rafael Lima.

Pelo contrário...

Inclusive, o preconceito com as pessoas que se sentem atraída pelos dois sexos pode fazer com que elas percam pretendentes. “Já deixei de ficar com muita gente depois que descobriram que eu sou bi. Sempre a mesma questão: se é uma mulher, ela tem medo de que eu a troque por um homem e vice-versa”, conta Rafael.

Bissexuais não têm que alternar homens e mulheres para provar nada

“Muita gente acha que, para ser bi, você tem que alternar entre ficar com homens e mulheres, sendo que não é assim que funciona. A gente brinca que tem que namorar um homem, uma mulher e uma pessoa não binária ao mesmo tempo para ter a ‘carteirinha da bissexualidade’", diz Aline. Não sejamos fiscais da vida amorosa e sexual alheia, tá ok?

Relacionamentos não indicam predileção

Uma pessoa pode ser bi e estar se relacionando apenas com pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo por um longo tempo. “A coisa mais equivocada que eu ouço são as pessoas medindo, como se tivesse uma escala. Tipo: fulana não é bi porque só namorou homem ou ciclano... não é bi porque só fica com mulher. Acho que está no desejo, na atração e no fluir entre os polos e não em quantas pessoas de quais gêneros você se relacionou”, explica Juliana Sacramento.

A bifobia vem tanto de pessoas heterossexuais como de LGBTs

O preconceito com os bissexuais, a bifobia, vêm de todos os lados. “Quando você conversa com héteros, muita gente não entende, se conversa com LGBTs também não entendem. Ser invisibilizada dentro do meio LGBT é a coisa mais chata. Sinto muito isso com mulheres lésbicas, que têm um medo de serem preteridas e falam coisas tipo ‘a, fulana é, já sabe, não dá pra levar a sério. É muito chato, parece que todo mundo é fiscal da bissexualidade”, diz a redatora publicitária Juliana Sacramento.