Billy Porter faz entrevista com José Xtravaganza sobre cultura ballroom, universo queer e Madonna

Diego Souza
·3 minuto de leitura
Conversa foi publicada pela Interview Magazine (Reprodução)
(Reprodução)

José Xtravaganza e Billy Porter protagonizaram um brilhante bate-papo para a revista Interview Magazine, divulgado na sexta-feira (05). A conversa foi pautada principalmente por arte, cultura ballroom, a importância da comunidade queer e Madonna.

Os artistas são grandes símbolos para a comunidade LGBTQIA+ e têm trajetórias revolucionárias ao promover a cultura queer, além de ajudar a arte underground a chegar na cena mainstream.

Tendo parte de sua caminhada, pessoal e nos circuitos de ballroom, exposta no documentário “Paris is Burning“, Xtravaganza foi convidado, com apenas 18 anos, para coreografar o lendário clipe de “Vogue”, da Madonna.

Durante a entrevista, Billy Porter, vencedor do Emmy por “Pose“, pergunta ao outro artista como foi trabalhar com a cantora na produção do vídeo e, posteriormente, na icônica tour Blond Ambition Tour. No qual José, conta:

“Eu ainda estava estudando dança na época. Encontrei amigos dela no clube e eles contaram a ela sobre mim. Não foi algo que eu pretendia fazer. Parece surreal, quase como se Deus dissesse: ‘Olha, pequenino, vou colocá-lo aqui e você apenas dance.’ E foi o que aconteceu. Eu a conheci e ela disse: ‘Estou fazendo um tour. Ouvi dizer que você é o melhor nessa coisa da moda.’ Eu venci quase 7.000 outros dançarinos pela oportunidade. Os dançarinos trabalham a vida inteira para isso, e lá estava eu ​​com 18 anos.

Madonna me deu muito. As pessoas sempre dizem: ‘Ela te tirou da nossa comunidade’. Você sabe como são os jovens. Eu falava, ‘Eu sou da comunidade, então ela pegou um de vocês e deu a ele a oportunidade de mostrar sua arte’. Sinto muito, mas se não fosse por ela, o voguing não seria tão conhecido.”, continua XTravangaza.

“Foi assim mesmo. Precisávamos da aliada de uma estrela como a Madonna, naquela época, para nos dar acesso.”, completa Porter. “Foi uma aliança que nos colocou em uma posição, todos esses anos depois, onde, sim, agora somos os arquitetos de nossas próprias histórias. Acho que ela deve ser creditada por fazer parte disso.”.

Em determinado trecho, Billy questiona como José falaria para os jovens de hoje, que atuam nessa área artística, sobre paciência, intenção, ética de trabalho, plenitude e longevidade de uma carreira.

Xtravaganza prontamente responde:

“É tudo pelo que almejamos na nossa área, sermos lembrados e reconhecidos pelo nosso trabalho. É a única coisa com que um verdadeiro artista sonha – não o dinheiro. Posso não ser milionário como alguns desses coreógrafos que vivem em Beverly Hills, mas sou muito rico no que fiz. Essa geração tem que lembrar que curtir não solidifica seu talento. Você tem que tocar e mover as pessoas com seu trabalho.”

Por fim, conclui:

“Voguing era uma forma de nos libertarmos quando ninguém mais nos aceitava. Quero que as pessoas se lembrem de que não foi criado para um público ou para aprovação. [Me orgulha] de ter sobrevivido. Estar aqui ainda, vendo onde nossa comunidade esteve e para onde está indo, é a coisa mais importante da minha vida.”