Bienal de Veneza premia duas artistas negras pela 1ª vez com o Leão de Ouro

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VENEZA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - A artista americana Simone Leigh e a britânica Sonia Boyce foram as duas artistas negras premiadas com o Leão de Ouro na 59ª edição da Bienal de Veneza, o evento de artes mais tradicional do mundo, neste sábado (23). É a primeira vez em 127 anos da história da exposição que duas mulheres negras levam os principais prêmios.

No caso de Leigh, ela foi celebrada por sua "inauguração escultural monumental poderosamente persuasiva para o Arsenale", como afirmou o júri se referindo a um dos principais locais de exposição do evento. O trabalho em questão é "Brick House" --ou casa de tijolos--, um busto de bronze com cerca de 5 metros de altura.

A obra, que retrata uma mulher negra com tranças e um corpo que lembra as formas de uma saia e de uma casa de barro, foi exposta pela primeira vez no parque High Line de Nova York em 2019.

Simone Leigh, de fato, teve uma presença marcante nesta Bienal de Veneza. Além de representar os Estados Unidos no pavilhão de seu país, ela abre e fecha a mostra principal no Arsenale, com a obra em questão, além de outra escultura de bronze dourado que fecha o jardim no final do percurso da mostra principal.

Leigh é uma artista negra americana no auge de sua carreira. O Leão de Ouro que venceu por sua participação na mostra principal parece, na verdade, um prêmio secundário, já que o impacto de seu pavilhão nacional foi muito maior do que o da britânica Sonia Boyce, que levou o troféu máximo pela representação oficial do Reino Unido --isso julgando apenas pelo exterior do prédio.

Boyce, a primeira mulher negra a representar o Reino Unido, foi celebrada pelo projeto "Feeling Her Way" --algo como sentido o jeito dela. A instalação musical com dez vídeos de cinco musicistas britânicas e negras cantando a capela.

Já Leigh, o terceiro artista negro, depois de Martin Puryear e Mark Bradford a representar os americanos nas últimas duas mostras venezianas, subverteu as linhas de mansão neoclássica do pavilhão de seu país nos Giardini, transformando o prédio numa cabana com teto de palha e uma escultura monumental coroando o exterior.

A decisão do júri, no entanto, não deixa de ser surpreendente. Os boatos nesses últimos dias de abertura para convidados da Bienal de Veneza era que a escolha seria política, premiando em termos simbólicos o pavilhão ausente da Ucrânia, a não ser por homenagens isoladas ao país agora alvo de bombardeios da Rússia na mais grave crise militar e diplomática da Europa desde a Segunda Guerra.

O júri de cinco pessoas da Bienal foi dirigido este ano por Adrienne Edwards, diretora de assuntos curatoriais do Whitney Museum of American Art em Nova York e curadora da Whitney Biennial de 2022.

Por outro lado, parece ter pesado a mão da curadora principal desta Bienal de Veneza, a italiana Cecilia Alemani, na escolha da vencedora pela mostra principal. Alemani, no caso, foi quem encomendou a obra que abre a mostra principal a Simone Leigh para exibir no High Line, o parque suspenso no bairro do Chelsea em Manhattan que ocupa um antigo ramal ferroviário desativado no sul da ilha, do qual Alemani é a diretora.

Além dos prêmios principais, o evento deu o Leão de Prata de jovem participante ao artista libanês Ali Cherri. As menções honrosas foram para os pavilhões da França, representada por Zineb Sedira, a primeira de origem argelina a representar o país; e da Uganda, com as obras Acaye Kerunen e Collin Sekajugo.

As artistas Shuvinai Ashoona, do Canadá, e Lynn Hershman Leeson, dos EUA, também foram destacadas entre as menções.

Já em março, a Bienal premiou a chilena Cecilia Vicuña, com o Leão de Ouro que homenageia trabalhos de toda a sua carreira.

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