Bienal do Livro tem barraco e xingamentos na porta de debate com Ailton Krenak

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma sala com capacidade para cem pessoas não foi o suficiente para abrigar o debate entre o líder indígena Ailton Krenak e o escritor português Valter Hugo Mãe durante a Bienal do Livro de São Paulo neste sábado (9), penúltimo dia do evento.

Cerca de 20 pessoas, entre leitores e jornalistas credenciados, não conseguiram um lugar dentro do Salão de Ideias e se aglomeraram do lado de fora para tentar acompanhar algo da conversa.

Em um momento, um homem que tentava entrar no local e se sentou no chão discutiu com seguranças que foram chamados para pedir que ele se levantasse. "Esse é um espaço democrático. É para o povo, não é?", dizia em voz alta, antes de xingá-los e dizer palavrões. "Vocês são todos bolsonaristas."

Durante a hora e meia em que durou o bate-papo, iniciado às 11h, o público reclamou com a produção do evento para tentar entrar na sala. Mesmo quando um assento era liberado, ninguém era autorizado a ocupar a cadeira. Na porta, o clima era de tensão entre os seguranças e entre o próprio público que se empurrava na porta.

Mais seguranças chegaram para tentar organizar a aglomeração e bombeiros pediram para que os visitantes se afastassem das paredes de vidro, que poderiam quebrar, disseram. Para evitar isso, colocaram faixas interditando o entorno. Ali ao lado, em meio ao público, produtores da Bienal e bombeiros discutiam sobre a organização do evento e a confusão causada pela lotação da sala.

De dentro, Krenak brincava com aqueles que ficaram de fora, agradeceu e aproveitou para fazer uma reflexão sobre exclusão. No encontro, o líder indígena e Valter Hugo Mãe discutiram sobre os problemas ambientes e sociais do Brasil, além das raízes do país e Portugal.

Krenak, que durante a participação em um outro evento literário, no mês passado, alertou sobre o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, não falou sobre o assunto. Mas disse que a violência foi naturalizada no país.

"Nada vai mudar enquanto admitirmos a violência", disse Valter Hugo Mãe. "Toda vez que se comenta sobre o assassinato de um ativista, alguém vai lá e diz que aquele é um lugar perigoso. Temos que defender qualquer conduta violenta dos povos periféricos."

O debate propunha ainda encontrar soluções para lidar com o futuro ambiental no mundo. "Se a gente conseguir extrair a violência da comunicação com os outros, teremos um espacinho para melhorar", completou Krenak.

Na despedida, a educadora Cristine Takuá, que mediava o encontro, puxou um coro de "Fora, Bolsonaro", seguido por palmas daqueles que estavam dentro e fora da sala.

O debate que ocorreu no mesmo local logo em seguida e discutia a representatividade LGBTQIA+ ainda tinha assentos vagos.

Nos corredores da Bienal do Livro, que termina neste domingo (10), estandes formavam filas e alguns corredores ficaram apertados para se transitar. Mas, em alguns pontos, era possível andar sem esbarrar nos outros visitantes.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos