Beyoncé pode até ser criticada, mas a branquitude precisa saber que existem limites

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Branquitude precisa rever seu lugar de fala (Foto: Reprodução/Disney)
Branquitude precisa rever seu lugar de fala (Foto: Reprodução/Disney)

Por Maíra Azevedo (@tiamaoficial)

Assim que “Black is King”, novo filme da Disney protagonizado e idealizado por Beyoncé, foi lançado à internet foi tomada por alto nível de comoção. Se tornou uma dos assuntos mais comentados em todo mundo. E não teve quem passasse imune ao fenômeno.

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Mas, mesmo se tratando de Beyoncé, a atual rainha do pop, não houve unanimidade. Enquanto muitas pessoas se emocionavam, choravam e afirmavam se reconhecer na película, pela ótica da representatividade e da identidade racial. De um outro lado, um grupo fez críticas severas ao fato da artista supostamente representar uma África estereotipada.

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Aqui no Brasil, o álbum não só viralizou, como se tornou alvo de polêmica. A historiadora Lilia Schwarcz fez o artigo “Filme de Beyoncé erra ao glamourizar a negritude com estampa de oncinha”, no qual ela exalta a trajetória da cantora, mas atesta que Beyoncé desconhece a própria África e que deveria sair do conforto da sua sala de estar e viver ares de realidade.

O texto foi visto como desrespeitoso, não apenas com a obra, mas com a própria comunidade negra. Lilia é especialista em escravidão, professora universitária e uma personalidade muito consultada nos debates sobre questões raciais. Mas é uma mulher branca e como tal goza de diversos privilégios em nossa sociedade, inclusive o poder de pautar muitas discussões.

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E talvez, por isso, tenha acreditado que poderia ditar as regras da negritude e dizer a Beyoncé, uma mulher afro norte americana, que cada vez mais demonstra o seu compromisso com sua ancestralidade e negritude, qual seria a forma correta de retratar a sua própria história e sua narrativa. Esse é o erro! Acreditar que sendo ela uma mulher branca pode ensinar a uma mulher preta como contar a própria história.

Ao “mandar” Beyoncé sair da sua sala de jantar e tomar ares de realidade, Lilia demonstra o reconhecimento da sua posição confortável como integrante da branquitude, que passou anos nos dizendo o que é certo e errado.

Lilia reconheceu que foi equivocada em seu artigo, mas antes disso, ao ser questionada mandava que as pessoas lessem todo o texto, mais uma vez supondo a falta de capacidade é de intelectualidade negra.

Com toda repercussão, a professora admitiu o erro, mas acusou a edição do jornal em usar um título perverso e provocador. Se desculpou. Mas ficou a lição, que não precisa opinar sobre tudo, e que assim como Beyoncé, está longe de ser unanimidade.

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