Bertrand Tavernier: uma vida dedicada ao cinema

Claude CASTERAN
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(Arquivo) O cineasta Bertrand Tavernier em 1º de setembro de 2017 no festival de cinema americano de Deauville

O diretor de cinema francês Bertrand Tavernier morreu nesta quinta-feira (25) aos 79 anos e foi uma das figuras mais emblemáticas e respeitadas do cinema em seu país, que viveu dedicado ao seu trabalho eclético e muito premiado e à defesa e promoção da sétima arte.

"Junto com sua esposa Sarah, seus filhos Nils e Tifanny e seus netos, o Instituto Lumière (...) comunica com tristeza e dor o falecimento hoje de Bertrand Tavernier", informou no Twitter essa instituição, que ele presidia.

Grande cinéfilo, Tavernier militou a favor do cinema francês independente, mas isso não o impediu de mostrar sua paixão pela Hollywood do século XX.

Seus filmes foram premiados tanto na França quanto no exterior.

Em 1983, "Coup de torchon" foi indicado ao Oscar e um ano depois "Un dimanche à la campaign" levou um prêmio em Cannes. Nos anos 1990, "La Vie et rien d'autre" ganhou o BAFTA por melhor filme estrageiro e "L'appât" com o Urso de Ouro da Berlinale.

Na França, acumulou cinco prêmios César ao longo de sua carreira e a Mostra de Veneza o premiou com um Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra.

O cineasta escrevia seus próprios roteiros sobre tramas policiais, políticas, históricas, de aventura, guerra...

Tavernier deixa uma filmografia produzida a partir do sentimento, em guerra contra as injustiças, o racismo, as drogas e o desemprego. Mimava a narração e as personagens, os mesmos que a corrente cinematográfica da "Nouvelle Vague" rejeitava.

Seu objetivo era "explorar e se introduzir nas épocas e universos mediante personagens" com destinos complicados. "E não ficar entediado, é uma questão de cortesia!", afirmava o diretor, que descrevia o "prazer físico" que sentia ao estar em um estúdio e dirigir os atores.

- Amante do 'faroeste' -

Bertrand Tavernier nasceu em 25 de abril de 1941 em Lyon (centro-leste). Filho do escritor e combatente da resistência René Tavernier, ele descobriu o cinema durante uma estadia em um sanatório. Ao se mudar para Paris, fundou com alguns amigos o cineclube NickelOdéon e colaborou nos anos 1960 para várias revistas.

Foi assessor de imprensa de filmes de Jean-Luc Godard e Claude Chabrol, entre outros, e em 1970 escreveu um livro que se tornou uma referência no assunto: "30 anos do cinema americano". Ele também publicou entrevistas com grandes autores de Hollywood.

Tavernier dizia que se tornou diretor "devido à sua admiração pelos filmes de faroeste".

Dentro e fora de suas produções, Tavernier militou em diferentes questões: contra a censura, contra a tortura durante a guerra da Argélia, a favor dos imigrantes sem doumentos, a favor de resgatar alguns diretores do esquecimento etc.

"Não me sinto mais cansado agora do que quando comecei", afirmou em 2016, ao apresentar seu documentário "Viagem através do cinema francês", uma história muito pessoal da sétima arte que ele produziu após ter visto centenas de filmes.

Com a roteirista Colo Tavernier (da qual se divorciou e que faleceu em 2020), teve dois filhos: Nils, ator e diretor, e Tiffany, escritora. Com ela, gravou "Holy Lola" (2004) sobre a adoção no Camboja.

Voltou a se casar em 2005 com a roteirista Sarah Thibau.

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