Belo vai para o presídio e Gracy afirma: "Com certeza há perseguição"

Patrick Monteiro
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Cantor será detido no sistema prisional do Rio de Janeiro (reprodução / instagram @belo)
Cantor será detido no sistema prisional do Rio de Janeiro (Roberto Filho/Brazil News)

Após horas de depoimento na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro, Belo foi transferido para a Polinter para dar entrada no sistema prisional do Estado nesta quarta-feira (17). O cantor foi preso em um inquérito instaurado pela Delegacia de Combate às Drogas que investiga a realização de um show durante o Carnaval.

O cantor é acusado de infração de medida sanitária, crime de epidemia, invasão de prédio público e associação ao tráfico de drogas por ter aceitado fazer o show em acordo com o poder paralelo local. A apresentação aconteceu no último sábado (13) dentro de uma escola pública no Parque União, no Complexo da Maré, área de comunidade da cidade.

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“Não tem como estar tudo bem. Enquanto a gente achar que cantar for crime a minha vida acabou”, disse ao deixar a delegacia. E completou: “Não sei o que fiz para estar passando por essa situação até agora. Você ser contratado para cantar em um local? Quero saber qual crime cometi”, disse o cantor na saída da delegacia.

Questionado quem pagou o show pelos jornalistas, que é uma pergunta que a polícia quer solucionar, ele disse: “A minha empresa recebe dinheiro, CNPJ com CNPJ.” Ele foi detido em Angra dos Reis enquanto gravava um quadro do programa ‘Hora do Faro’, da Record TV.

A polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão no endereço de Belo e da produtora Série Gold. Os policiais apreenderam do cantor computadores, carros, celulares, motos, equipamentos de som, R$ 40 mil, € 3,5 mil (cerca de R$ 22,8 mil) e duas pistolas registradas no nome de Belo.

Gracyanne Barbosa, que acompanhava o marido, também falou com a imprensa na saída da delegacia. “Meu marido saiu para trabalhar que o que ele sabe fazer e ama e o que precisa fazer. Se ele pudesse também ficaria em casa, como ficou por meses. Mas ele precisa trabalhar. Nossa família depende do trabalho dele, 50 famílias dependem”, reafirmou.

A empresária também disse que suspeita da prisão. “Com certeza há perseguição. Todo mundo está saindo para trabalhar, porque só ele não pode? Ele é contratado, onde tem as clausulas para seguir as normas de segurança por conta da covid. Ele é a pessoa mais cuidadosa que conheço. Ele só está saindo para trazer o sustento para casa. Sabemos a situação que vivemos no Brasil. Eu já passei fome e sei o quanto é difícil”, refletiu.

Belo usou as redes sociais para se desculpar com o público. Leia o comunicado:

“O cantor Belo, sua família e equipe estão surpresos e consternados com o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 17, no âmbito da investigação sobre a apresentação do músico em evento no último sábado, 13, no Complexo da Maré, Zona Norte da capital fluminense. O show foi legalmente contratado pela produtora Série Gold, conforme comprovam notas fiscais e outros documentos já entregues às autoridades.

O espanto se dá em razão da prisão ter ocorrido mesmo após parecer contrário do Ministério Público (MP) e também da falta de isonomia quando se trata de apresentações artísticas durante a pandemia da Covid-19, pela qual Belo teve a saúde acometida há três meses e a agenda cancelada integralmente há um ano.

Ciente da gravidade da crise sanitária, Belo pede desculpas por ter se apresentado em uma aglomeração. O cantor retomou há pouco uma agenda parcial de shows, com compromissos ainda insuficientes para reverter o prejuízo dos meses em que esteve impedido de trabalhar, enquanto indústria, comércio e outras atividades de lazer — inclusive as casas de show — voltaram a funcionar, ainda que com restrições. Como qualquer brasileiro, Belo é um cidadão com contas a pagar por meio de sua atividade profissional e sempre o fará sem distinções, principalmente de classe social.

Completa o estado de choque do cantor o fato de que o evento de sábado não foi o primeiro e nem será o último em que aglomerações fugiram do controle dos organizadores. No entanto, chamou atenção das autoridades, de maneira mais expressiva, justamente um episódio na Maré, uma das maiores favelas cariocas, onde eventos culturais já são comumente reprimidos pela ideia de que os moradores de comunidades não merecem vivenciar a arte da mesma maneira do que aqueles que residem em áreas mais ricas da cidade. Ecoando o questionamento feito ao longo do dia nas redes sociais, a equipe de Belo também se pergunta se a situação seria a mesma caso o show ocorresse em bairros da Zona Sul e com artistas de gêneros musicais menos negligenciados do que o pagode. Um exemplo dessa distinção é o fato de não haver registro de prisões na interdição de um baile de carnaval”