Bellator e Rizin apostam em co-promoção, mas UFC mantém distância

Fedor Emelianenko lidera o primeiro evento do Bellator no Japão (TASS/Getty Images)

Eventos de MMA de fim de ano fazem parte da tradição japonesa há mais de uma década, e o Bellator de Scott Coker, segunda maior organização dos Estados Unidos, começou a explorar essa cultura este ano em uma parceria com o Rizin, empresa liderada pelo chefe do antigo Pride, Nobuyuki Sakakibara.

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A co-promoção abre portas para duelos interessantes, que culminaram, por exemplo, na coroação de Kyoji Horiguchi como campeão peso-galo (61kg) de ambas as franquias, algo inédito no alto nível do esporte até então. O fã começa a sonhar com lutas que antes pereciam impossíveis de acontecer, mas precisa brecar suas expectativas na hora de colocar o UFC na jogada.

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Embora estejam consolidados no mercado do MMA há anos, Bellator e Rizin ainda estão longe do poderio financeiro e prestígio global do UFC, e é exatamente por isso que a franquia de Dana White não cogita fazer co-promoção. A prática é comum no boxe e começa a ganhar forma agora no MMA com Coker e Sakakibara, mas está muito longe de se tornar uma constante.

Há pouco mais de uma década, quando o russo Fedor Emelianenko era considerado por muitos o melhor peso-pesado do planeta, White tentou por diversas vezes contratá-lo para o UFC, mas sempre esbarrou em uma exigência dos empresários do ex-campeão do Pride: co-promoção.

Os responsáveis por gerenciar a carreira de Emelianenko eram donos da organização M-1 Global e não abriam mão da cláusula que exigiria uma parceria entre sua empresa com o UFC nos cards que constassem com a presença de Emelianenko. White jamais aceitou, e o negócio esfriou.

O Strikeforce, liderado na época por Coker, topou a exigência e contou com “O Último Imperador” em seu plantel por alguns anos. Foi lá que o ex-campeão do Pride sofreu suas primeiras verdadeiras derrotas no MMA, batido por Fabrício Werdum, Dan Henderson e Antônio Pezão.

O sonho de ver um campeão do UFC tentando unificar seu cinturão com o número um do Bellator, por exemplo, dificilmente se tornará realidade a menos que aprovem o Ali Act, lei que diminuiu o poder de promotores de boxe nos Estados Unidos. Corre há anos uma tentativa no congresso norte-americano de criar algo semelhante para o MMA, mas sofre com o lobby do UFC.

Com pouco a ganhar e muito a perder com uma parceria nesse formato, o UFC centenas de milhares de dólares batalhando contra a lei. No imaginário do fã casual, o Ultimate possui os melhores lutadores de MMA do planeta sob contrato, e uma derrota de seus atletas para companhias rivais, muitas vezes chamadas de “série B do MMA” por quem não acompanha o esporte além do UFC, provaria o contrário.

No passado, quando o UFC comprou empresas rivais como WEC, Pride e Strikeforce, diversos atletas se mudaram para o octógono e conquistaram cinturões. Porém, como não tinham mais o nome de seus antigos empregadores ligados a eles, a “aura” do UFC diante do grande público não foi afetada.

Ao todo, 14 atletas absorvidos no ato da compra de empresas rivais se tornaram campeões do UFC no futuro, sem contar as divisões até 61kg e 66kg, que não existiam na empresa de Dana White antes da compra do WEC. Nela, o UFC passou a contar com estrelas do calibre de José Aldo, Dominick Cruz, Urijah Faber e Renan Barão.

Quem venceria o duelo Douglas Lima x Kamaru Usman, campeões meio-médios (77kg) do Bellator e UFC? Patrício Pitbull, campeão duplo do Bellator, seria capaz de bater Alexander Volkanovski ou Khabib Nurmagomedov? Julia Budd conseguiria revidar uma das únicas derrotas de sua carreira contra Amanda Nunes? Infelizmente, é provável que nunca tenhamos essas respostas.

Neste sábado, Bellator faz sua primeira viagem ao Japão com um card especial. Nele, cinco de seus atletas medem forças com rivais do Rizin. A luta principal terá Emelianenko contra Quinton “Rampage” Jackson, além da participação dos brasileiros Goiti Yamauchi e Ilara Joanne. Dois dias depois, em 31 de dezembro, Patricky Pitbull, do Bellator, tenta vencer o GP dos leves (70kg) do Rizin. Prato cheio para quem quer fechar 2019 com boas lutas.

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