Bel para meninas: estamos considerando o efeito da exposição online?

Colocar-se na frente de uma câmera significa estar disposto a receber críticas e opiniões alheias (Foto: Getty Creative)

Um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta quarta-feira (20), ainda era o canal Bel para Meninas, que entrou nos Trending Topics no dia anterior. O motivo é incerto, mas o que vimos na rede social são críticas à forma como a Fran, mãe da influencer adolescente Bel, trata a filha nos bastidores das gravações. 

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Não se pode fazer afirmações sobre a maneira como o relacionamento de mãe e filha acontece sem provas concretas. Mas o que vimos foi um movimento no Twitter pedindo para que a menina, hoje com 13 anos, fosse "salva" do ambiente familiar em que vive. 

Fato é: o mundo dos influenciadores anda recebendo ultimato atrás de ultimato nas últimas semanas. Depois do caso Gabriela Pugliesi e da chamada à ação de Felipe Neto, é um fato de que pessoas públicas e que conseguiram sucesso online hoje em dia precisam agir de maneira consciente diante das câmeras (e fora delas também, diga-se de passagem). 

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Pelo Twitter, os usuários argumentam que Fran maltrata a filha mais velha nas gravações e até nos próprios vídeos, sejam produções antigas (como uma, bastante gráfica, que mostra a menina passando mal) e outros mais recentes (como um TikTok em que Fran "enfia" uma bolacha na boca da filha). 

Luiz Bacci, apresentador do programa Cidade Alerta, da Record, usou os Stories do Instagram para explicar o andamento do caso (pauta de uma reportagem do programa), inclusive avisando os seus seguidores de que o Conselho Tutelar estava no condomínio de luxo em que a família de Bel mora. Se existem irregularidades e questões no tratamento da adolescente, elas não só podem como devem ser investigadas à fundo. 

Voltando à questão dos influenciadores, o que o caso nos fez pensar, mais uma vez, e o que o próprio Bacci comentou: a questão da exposição. A internet trouxe a possibilidade das pessoas se conectarem de formas nunca antes imaginadas. Ao mesmo tempo, abriu uma janela difícil de fechar. 

Em um mundo onde a cultura do cancelamento parece cada dia mais forte, ter 7 milhões de inscritos em um canal no YouTube significa estar sujeito à criticas e comentários dos mais variados, e aprender a lidar com esse feedback, inclusive se manifestando de forma rápida em casos sérios como esses, é essencial. 

Também há de se questionar: o quanto uma criança precisa e deve ser exposta online? A pressão gerada para manter uma imagem mais de uma vez já mostrou o seu efeito na vida das pessoas - vide o caso Marina Joyce, que até hoje ficou sem explicação. 

No online, um deslize vira meme. Outro, vira hashtag no Twitter. Cuidar dos gestos, palavras e ações é mais importante do que nunca e saber quando um comportamento pode ser mal interpretado é essencial para evitar o cancelamento. Mais do que isso, levar esse cuidado para o offline é o que vai garantir uma mente saudável sem a necessidade de validação a todo custo na internet - o que, vamos combinar, acontece a torto e a direito por aí. 

O receio de viralizar pelos motivos errados é o que deixa muita gente longe de contas numerosas e canais de sucesso. A necessidade de atenção ganhou uma muleta sem limites, mas fazer tudo pela audiência virou coisa do passado - não à toa as pessoas parecem tão cansadas dos influenciadores. Some a isso acusações de maus tratos contra uma criança (ainda não confirmadas pelas autoridades responsáveis, vale lembrar) e a situação ganha novas dimensões. 

No fim, tudo volta para o mesmo ponto: o quanto as pessoas estão conscientes das consequências das suas ações, seja dentro ou fora da internet, e o quanto estão preparadas para lidar com críticas ao seu comportamento. Estar online, para muitos, significa uma permissão de não só interferir, como opinar sobre a vida alheia, e entender os efeitos que isso tem no off, a influência dessa exposição no psicológico e emocional, tem se mostrado ponto chave para lidar com uma tecnologia que, aparentemente, veio para tornar a vida das pessoas melhor.