Bebês negros têm dobro de chance de sobreviver quando atendidos por médicos negros, mostra estudo

·2 minutos de leitura
Uma das explicações especulada pelos pesquisadores pode ser identificação entre médico e paciente, além de melhor comunicação com a mãe da criança (Foto: Getty Images)
Uma das explicações especulada pelos pesquisadores pode ser identificação entre médico e paciente, além de melhor comunicação com a mãe da criança (Foto: Getty Images)

Um estudo feito pela National Academy of Sciences mostra que, nos Estados Unidos, recém-nascidos negros têm mais chances de sobreviver quando são atendidos por médicos negros. Segundo informações divulgadas pela Agência Einstein, bebês negros morrem três vezes mais do que os brancos durante a internação inicial.

O estudo é feito por pesquisadores de três universidades norte-americanas. Eles mostram que, quando os recém-nascidos são atendidos por médicos negros, a taxa de mortalidade cai pela metade. Em relação aos bebês brancos, não há diferença de mortalidade a depender da raça do médico.

À Agência Einstein, uma das autoras do estudo, Rachel Hardeman disse que essa é a primeira evidência do “efeito de concordância racial entre médico e paciente na diferença de mortalidade entre negros e brancos”. “À medida que buscamos fechar lacunas raciais persistentes para a questão do nascimento, essa descoberta é bastante importante”, explicou a professora da Universidade de Minnesota, que é especializada em saúde pública e equidade racial.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores das universidades de Harvard, Minnesota e George Mason examinaram 1,8 milhão de nascimentos no estado da Flórida entre 1992 e 2015. Eles identificaram a raça dos bebês e dos médicos em cada um dos casos.

Leia também

Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, atualmente, nos EUA, bebês negros com menos de um ano morrem duas vezes mais que bebês brancos, asiáticos ou hispânicos.

A pesquisa não aponta os motivos pelos quais a raça influencia na diferença da mortalidade entre recém-nascidos. Os estudiosos dizem que pode haver relação entre identificação entre médicos e pacientes negros, o que facilitaria a comunicação com as mães. No entanto, os pesquisadores alertam que, agora, qualquer conclusão seria uma especulação.

“Há um ambiente de explicações possíveis. O próximo passo é, por meio de observações, descobrir as razões para essa diferença”, afirma Brad Greenwood, da Universidade George Mason, que também é coautor do estudo.

O estudo ainda reforça que é importante aumentar a diversidade na força de trabalho médica. Nos Estados Unidos, 13% da população é negra, mas apenas 5% dos médicos são. Os dados são da Associação de Faculdades de Medicina Americana.