Bebê nasce no meio da rua após ambulância demorar 3h para chegar

A mulher deu à luz no meio da rua antes que a ambulância chegasse (Foto: Reprodução/Redes sociais)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Funcionários do programa da Prefeitura do Rio que deveria auxiliar grávidas relatam atraso nos salários

  • Ambulâncias estão circulando no limite do combustível; duas ficaram paradas

Uma gestante esperou a chegada de uma ambulância do Cegonha Carioca, da Prefeitura do Rio de Janeiro, por três horas na última quinta-feira (10). O bebê chegou antes do auxílio: a pequena Merlin nasceu no meio da rua na Zona Oeste do Rio.

Dhassyla Pinheiro Silva já havia sentido contrações na noite anterior e diz que foi até a Maternidade Leila Diniz, na Barra da Tijuca, mas os médicos avaliaram que ela ainda não estava pronta para o parto. Por volta das 5h de quinta-feira, ela sentiu dor novamente e pediu para o marido chamar uma ambulância do Cegonha Carioca. Às 8h, o veículo ainda não tinha chegado.

Criado em 2011, esse programa da Prefeitura deveria ajudar gestantes desde o pré-natal até a hora do parto. O projeto é pioneiro na humanização da gestação e na redução de mortalidade materno-infantil, incentivando as grávidas a realizarem exames pré-natal e permitindo que elas conheçam a maternidade onde terão seus bebês. No entanto, funcionários do programa relatam que estão com os salários atrasados: em setembro, receberam no dia 23, e não sabem quando vão receber o pagamento de outubro.

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Eles também denunciam que as ambulâncias estão circulando com o combustível no limite – por falta de abastecimento, duas chegaram a ficar paradas na semana passada. Ao G1, um funcionário relatou que dinheiro de procedência questionável paga pelo combustível dos veículos:

“Na hora de abastecer a ambulância, a regulação liga, manda a equipe da ambulância para um determinado posto, onde lá se encontra um funcionário da prefeitura, com dinheiro vivo, em espécie, e ele faz o pagamento. E eles determinam o valor que vai ser abastecido em cada ambulância”, conta o funcionário do Cegonha Carioca.

Quando percebeu que o bebê estava nascendo antes da chegada da ambulância, o marido pediu ajuda na rua. Os irmãos Fernando Vincler dos Santos e Jean Carlos dos Santos auxiliaram o casal até que nasceu a bebê Merlin, com 2,540 kg e 48 cm. Tanto a mãe quanto a filha passam bem. A ambulância chegou após o parto e levou as duas até o hospital.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde nega as denúncias dos funcionários do programa:

“As gestantes que precisarem do serviço na hora de ir para a maternidade podem solicitá-lo pelo número de telefone informado durante o pré-natal. As ambulâncias estão sendo abastecidas, e a secretaria trabalha para regularizar os repasses ao contrato do Cegonha Carioca.”