BBB23: Não basta ter fama, sucesso, você é mulher e está vulnerável a homens abusivos

Caso de Bruna Griphao no reality show desmistifica o pedestal da figura pública

Resumo da Notícia:

  • BBB23 prova que famosas empoderadas não estão livres de homens abusivos

  • Caso de Bruna Griphao no reality show desmistifica o pedestal da figura pública

  • Mulheres da mídia fortificam teoria de que estão igualmente vulneráveis

Bruna Griphao é uma mulher branca, magra, malhada, totalmente inserida nos padrões de beleza da sociedade, crescida em frente às câmeras, desejada por muitos e marcada pelo empoderamento nas redes sociais. Mas parece que nada disso a impede de estar igualmente vulnerável a relações tóxicas como qualquer outra mulher.

Atriz global desde a infância, a jovem de 23 anos não escondeu sua vulnerabilidade dentro do maior reality show do país. Parte do elenco do BBB23, a sister se entregou para um relacionamento abusivo com Gabriel, que em poucos dias demonstrou um comportamento agressivo nos gestos e falas - sem que a artista tivesse entendimento. Suas atitudes renderam uma intervenção direta de Tadeu Schmidt no jogo. O apresentador destacou a fala de que ele daria "cotoveladas na boca" dela e alertou sobre os limites de uma relação afetiva. O que nos faz pensar que o pedestal imaginado para celebridades não é maior do que o machismo enraizado socialmente.

Bruna Griphao é atriz e tem 23 anos. (Foto: Globo/Paulo Belote)
Bruna Griphao é atriz e tem 23 anos. (Foto: Globo/Paulo Belote)

Histórico de relacionamento abusivo

O primeiro detalhe é que Bruna abriu o coração para colegas de confinamento sobre já ter sido vítima de homens abusivos. Um choque de realidade saber que, por trás da loira gostosa e cheia de confiança no Instagram, ainda existe uma mulher insegura e marcada por situações de violência.

Somos criadas pra depender emocionalmente de alguém. Não importa a posição social dessa mulher, se ela não tiver independência emocional pode ser rica, famosa, o que for que ela vai se submeter 'sem perceber' a violências e reproduzir atitudes machistas"Samara Felippo

"Eu poderia ter morrido, já, nas mãos de namorado. Algumas vezes. Isso é real. Eu sempre falava assim: 'Não é que você é agressor, você é um cara agressivo'. Sempre tentava... Minha melhor amiga já falou: 'Não é que ele vá intencionalmente te matar, mas em uma dessas ele te matará sem querer'", iniciou ela.

Na sequência, Bruna confessou seu receio por não ter noção do quanto a situação está errada, já que está sem referências de afeto. "São coisas que já vivi. Sei que isso é muito sério e real. Fico muito triste de estar passando esse exemplo. De estar tolerando uma coisa que é errada e de nem visualizar que é errado. E eu não enxergo o Gabriel dessa forma", declarou.

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Ao analisar a situação de Bruna, a jornalista Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má, destaca a necessidade da mulher estar acompanhada por uma figura masculina para ser socialmente validada. "Muita gente acredita que uma mulher precisa ter um homem ao lado para ser considerada bem sucedida! Talvez, por isso, a gente veja tanta mulher incrível ficando com caras que nem sempre são tão legais assim", afirmou em seu Instagram.

Famosa não deixa de ser mulher na sociedade machista

Atriz na mídia há mais de duas décadas, Samara Felippo reforça ao Yahoo como mulheres famosas não estão livres de homens abusivos por fazerem parte de uma estrutura patriarcal. "É bem o que está sendo exposto. Não conseguimos enxergar, naturalizamos desde falas como atitudes. Eu penso que isso vem muito de infância. Crescemos com gritos, beliscões, normalizamos brigas e isso reflete nos nossos relacionamentos e meninas são as principais vítimas desse sistema", declara ela, que já relatou ter sido vítima de um namoro abusivo e produz conteúdo sobre empoderamento nas redes sociais.

A artista destaca a cultura de encontrar o “príncipe” e a omissão para aceitar tudo em prol de um amor romântico. "Um sistema violento de domínio do homem sobre todo o feminino e aceitamos porque esse mesmo sistema nos faz acreditar que merecemos menos", afirma.

Nos stories do Instagram, Nathalia Dill, que já contracenou com Bruna na TV, pontuou como a personalidade imponente da participante do BBB23 também não resiste frente ao abuso. "Olha que louco…Mesmo a Bruna sendo essa mulher forte, potente, que vibra, que rebate, ainda assim ela acaba sendo subjugada por esse abuso. Mesmo uma mulher forte, consegue ser silenciada", afirmou.

Questionada sobre por que Bruna não estaria livre desse contexto, sendo que poderia "escolher" o homem que quiser, Samara encontra uma resposta simples. "Porque ela é mulher (risos)", rebate.

Vale ressaltar que a violência psicológica é frequentemente relativizada. A escritora e psiquiatra Manuela Xavier pontua como é preciso entender que a lógica de gênero estruturada na sociedade faz as atitudes dos homens operarem de uma forma radical nas mulheres. "Se te machuca, se te constrange, se te limita, se te tortura psicologicamente, te faz sentir louca o tempo inteiro, não é amor, é abuso. A gente não pode colocar na conta do 'é o jeito dele, foi só uma grosseria'", afirma em seu perfil.

Bruna é uma dentre tantas

A atriz do BBB23 não é a primeira nem será a última mulher famosa a abrir a vulnerabilidade do envolvimento num relacionamento abusivo. Antes de Bruna Griphao, nomes como Preta Gil, Gabi Lopes e Luiza Brunet relataram ter passado por essa experiência mesmo sendo foco dos holofotes e socialmente esclarecidas.

Preta contou que entendeu a vivência após fazer terapia e perceber que mudou a vestimenta, parou de se expressar como antes e tinha vergonha de sair em público com o namorado. "Eu, Preta Gil, estava murcha, usando as roupas que eu não usava. Quando acordei, verbalizei que estava num relacionamento abusivo. Aquilo foi um choque tão grande para mim, saber que me submeti àquilo tudo", declarou Preta em participação no "Saia Justa", do GNT, à Sabrina Sato e Astrid Fontenelle.

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"Eu ria, e ele falava: ri mais baixo, sua risada é escandalosa, vulgar. Quando vi, parei de rir. Fui ficando triste, os amigos foram percebendo, e comecei a entender porque eu estava realmente tentando me enquadrar. A gente acha que amor, namorado e marido é tudo na vida da gente", afirmou.

Gabi Lopes usou o Instagram para revelar ter vivido um namoro tóxico quando já era influente nas redes sociais e atriz global. "Na minha cabeça, ele era só uma pessoa grosseira, devido certas atitudes em que percebi que ele agia com mais irritações. Mas na época não entendia e passava pano achando que era apenas um estresse do trabalho", relatou ao dizer que o ex-parceiro chegou a agredir um fã que pediu para tirar foto. "Diziam que eu estava estranha, apagada. E foi quando entendi que era o relacionamento que estava me fazendo mal. Me traumatizou e precisei passar por terapia para me relacionar novamente sem medo", disse.

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Uma dos símbolos sexuais dos anos 1990, Luiza Brunet se viu vítima de violência após os 50 anos de idade. Ela declarou publicamente ter sido agredida fisicamente pelo empresário Lirio Parisotto durante uma viagem aos EUA.

"Aos 54 anos de idade, quando sofri violência doméstica, que tive as quatro costelas quebradas, aquele famoso olho roxo…A rede de apoio que eu tive me fortaleceu demais! Então, hoje ajudo as mulheres da mesma forma que fui ajudada. Quebro o barraco, se precisar. Denuncio! Eu faço o escambau", afirmou ao Yahoo ao se tornar uma das principais vozes pelos direitos das mulheres e na luta contra a violência.

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