BBB23: alerta faz Bruna se afastar de Gabriel; como ajudar amiga em relação tóxica?

Tadeu Schmidt chamou atenção para as falas e atitudes de Gabriel Tavares antes da formação do paredão

Bruna Griphao em ensaio oficial para o BBB23 (Foto: Globo/ Fábio Rocha)
Bruna Griphao em ensaio oficial para o BBB23 (Foto: Globo/ Fábio Rocha)

O Big Brother Brasil 2023 começou há apenas uma semana, mas muita coisa já rolou: alianças, tretas, formação de casal e… cenas de machismo. Nos últimos dias, Gabriel Tavares tem dito uma série de grosserias para Bruna Griphao que soam tão agressivas e controladoras que o apresentador Tadeu Schmidt quebrou o protocolo e deu um “toque” nos dois: “Quem está envolvido num relacionamento talvez não perceba, mas quem está de fora consegue enxergar quando os limites estão prestes a ser ultrapassados”, falou, no domingo (22), citando especificamente uma cena em que Gabriel ameaça dar cotoveladas na boca dela.

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Mesmo com o “toque” de Tadeu, Bruna disse a Gabriel, mais tarde, que não se sente numa relação tóxica – nesta segunda-feira (23), no entanto, ela reconsiderou e, a partir do alerta do apresentador, decidiu se afastar de Gabriel dentro do reality.

Além da clara ameaça de agressão física, em diversos momentos ele tenta silenciá-la, “ensinando” Bruna a se comportar perto dele, dizendo que ela não pode interromper quando ele está falando ou que é “detestável” ter que ouvir a voz dela.

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A psicóloga Laís Sellmer, que atende mulheres nessa situação, explica que, muitas vezes, essa é uma ficha que demora a cair.

“Parece estranho que ela não perceba essas agressões. Mas a cultura brasileira é extremamente machista e, embora as discussões sobre relações tóxicas sejam cada vez mais abertas e recorrentes, ainda somos um país com índices alarmantes de violência doméstica”, diz a psicóloga.

De fato, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, oito mulheres são agredidas por minuto no Brasil. “É algo que a gente vê repetidas vezes dentro de casa, entre amigos, na televisão, e que, por isso, pode se tornar naturalizado no nosso inconsciente”, completa.

Laís chama atenção para o fato de que, além das agressões verbais, um registro da casa mostra o momento em que Gabriel puxa o ombro de Bruna, depois de dizer que ela não pode interrompê-lo.

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“Primeiro ele tenta silenciar a Bruna pela voz, depois, quando não consegue, vai para uma atitude física – e esse momento em que a agressão começa a se tornar física é muito perigoso. Não estou dizendo que ele é um agressor de mulheres, mas ele expressa claramente o desejo de fazer isso”, percebe Laís Sellmer.

Como ajudar uma amiga nessa situação

Mesmo antes do toque de Tadeu Schmidt, Bruna também foi alertada por Aline e Tina, que chegou a dizer claramente que os dois são “tóxicos” juntos. Mas só depois que o apresentador narrou uma cena de agressão – a da ameaça de cotoveladas na boca –, Bruna começou a compreender o que estava vivendo.

Inicialmente, ela decidiu se afastar de Gabriel e tomou a responsabilidade das agressões para si. Em conversa com o modelo, disse que tinha uma parcela de culpa, porque estaria “respirando ele” dentro do programa. "Está tudo bem. Mas acho que a gente tem que se afastar e cada um fazer seu jogo. Não é só sua culpa, é minha culpa também", disse, abraçando o brother.

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Momentos depois, ela chora e diz sentir vergonha pela violência que passou.

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“É comum que, quando as mulheres comecem a perceber que são vítimas, elas se responsabilizem pela violência ao invés de responsabilizar o cara. Ela entende que permitiu esses abusos, se culpa por não ter percebido antes. A visão fica muito turva, mas essa sensação de culpa tende a passar conforme os sentimentos vão se acalmando”, afirma a psicóloga.

Por isso, a melhor forma de ajudar uma mulher que está nessa situação – seja uma amiga, uma pessoa da família – é acolhendo, mostrando que ela é amada e admirada, mas sempre com muito cuidado para não reforçar mesmo de forma sutil a ideia de que ela é culpada por aquilo,

“Vale mostrar como você enxerga essa mulher – forte, admirável – e como ela está sendo tratada de uma forma que não merece, como você gostaria de vê-la sendo tratada de forma justa”, orienta Laís. “Mas cuidado: se a gente passar a imagem que essa pessoa foi muito ingênua ou fraca por passar por essa violência, estamos reforçando a culpabilização. E essa não é a intenção”.

Posicionamento da Globo é inédito e acertado

Essa não é a primeira vez que o apresentador do BBB interfere no programa para dar uma bronca acerca de alguma violação de direitos – os casos mais emblemáticos talvez sejam quando Tiago Leifert apontou o racismo num comentário de Rodolffo contra o cabelo crespo de João, em 2021, e quando Tadeu abriu espaço para Lina reforçar a importância dos pronomes femininos que não estavam sendo respeitados por colegas com atitudes transfóbicas, em 2022.

Mas o alerta para uma situação de relacionamento abusivo é inédito, especialmente logo no começo do programa, evitando que a violência contra a mulher ao vivo se torne entretenimento, como já aconteceu em edições passadas.

Inevitável lembrar das agressões de Marcos Harter contra Emily Araújo, em 2017. Na ocasião, as agressões escalaram tanto que o médico chegou a apertar o rosto da namorada e empurrá-la contra a parede com o dedo em riste, além de fazer reiteradas agressões verbais.

Estes abusos duraram a maior parte do programa, até que, a cerca de uma semana da final, ele foi expulso da competição – o que só aconteceu depois que a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher instaurou um inquérito para apurar agressões físicas.

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À época, ao anunciar a decisão da emissora, o apresentador Tiago Leifert disse que, pelas regras do programa, “agressão gera expulsão” – mas nos resta questionar o que exatamente a Globo entende como agressão.

Nos anos seguintes, a violência contra a mulher continuou presente no programa, sem que a Globo agisse.

O relacionamento entre Carla Diaz e Arthur, em 2021, também envolveu uma série de agressões verbais, dedo em riste na cara dela e coisas do gênero.

Na mesma edição, o humorista Nego Di chega a dizer que se masturbaria se dormisse ao lado de Thais Braz e Carla Diaz, o que também é abuso sexual. “Não quis deitar do lado da mina. Cê é louco. Com a flauta… Tira a flauta do case. Eu mexendo no guri”, disse, usando “flauta” e “guri” para se referir ao próprio pênis. Na ocasião, ele foi repreendido por Projota: “Você está falando bosta”. A Globo não se posicionou sobre nenhuma destas atitudes.